domingo, 24 de maio de 2020

Quarentena eterna

Nunca mais tudo o que já vivemos será parecido.

As lembranças que temos, nunca mais serão parecidas. 

Os amigos não serão os mesmos, já não são.

Os costumes também não.

A decepção com atitudes alheias, imensurável.
O egoísmo gritante e horripilante, desnortea.
A vontade de fugir só aumenta.
Atualmente fugir se equipara a ficar em casa.
Fugir nunca foi tão digno!

Ficar isolado consigo mesmo.
Fugir do mundo e mergulhar no seu próprio.
Aceitar que toda a sociedade está doente.
Cansar-se demasiadamente de se preocupar
Com quem pouco está se lixando para os outros.

A quarentena está para o resto de muitas vidas.
Algumas que até já se foram...
O luto seletivo é um dejavu.
De tantas tragédias da humanidade,
A mais humilhante é não se importar.


Jenny Faulstich (Resende, 24/05/2020)

terça-feira, 14 de abril de 2020

#TBT de flor...



#TBT de flor,
de mato,
de cara lavada,
de Visconde de Mauá,
partiu fugir pra lá???

Jenny Faulstich
(Visconde de Mauá, 19/03/2020) foto celular

domingo, 12 de abril de 2020

"Florescer na dor"

Ilustração: Talita Abreu @talitaabreu.art
(Resende, 29/03/2020) 


A beleza e o horror de lidar com o desconhecido:
incerto, porém previsível,
temido e esperançoso,
também teimoso feito um idoso,
que não fica em casa
e quando fica, deprime!
Essa profunda tristeza desencanta.
Procurar o sentido de tudo
é um inútil desafio!
O mundo inteiro afetado
enquanto eu brigo, choro, durmo ou sorrio
assistindo tamanha dor que germina,
prolifera e também extermina feito pragas,
certo tipo de vida que escancara
ganância, vaidade e egoísmo.

Jenny Faulstich
(Resende, 30/03/2020)

sexta-feira, 10 de abril de 2020

4:46

Não consigo dormir!
Fecho os olhos e fico impressionada
com a imagem do cadáver
do filme da madrugada,
ficção e uma apocalíptica realidade.
Começo a lembrar de outros filmes,
repito orações pedindo um sono suficiente.
Ouço bater o portão,
uma criatura indo buscar o fim lá fora.
O toque de recolher da porta pra dentro
não faz quarentena do pensamento,
uma loucura instaurada,
massivamente, sem hora marcada.

Jenny Faulstich
(Resende, 02/04/2020)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Foi-se




O espelho aponta defeito e até aumenta
e de tanto observar detalhe,
o amassado da cortina incomoda.
O cansaço pede água e um amparo,
o gato escolhe seu lugar na cama,
arrumo tudo que eu preciso e deito,
bem mais tarde do que deveria.
Espero que o filtro de sonhos funcione,
tanto de noite quanto de dia.
O que era pra ser esse poema 
não importa mais, foi-se.

Jenny Faulstich 
(Resende, 09/04/2020) foto celular 

sábado, 14 de março de 2020

731 dias sem ela

No dia da poesia,
2 anos, 731 dias,
sem justiça,
sem resposta,
sem ela,
a voz da favela,
do pobre oprimido
com tanta mazela,
desrespeito, fome
de comida, de vida,
dignidade, já esquecida!
731 dias sem ela,
que tanto lutava,
se fazia presente,
ontem, hoje e sempre,
Marielle, presente!

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/03/2020)

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Caminho de flores


Ah, esse caminho!
Pedras, flores, 
sombras de amores!

Ao castelo me leva!
Muros, janelas,
sepulturas sem cores!

Jenny Faulstich 
(Sintra, 07/2018)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Samba no guardanapo (22)

Quando o samba te dá voz,
tudo que se precisa é
ouvir, cantar, dançar,
reparar os sorrisos,
bater palmas e
deixar de prestar atenção
só na própria vida,
sabe lá o que vem além dela.
"A gente precisa ir embora".
Às vezes estamos nos preocupando demais.
"Não se abater",
olhar o outro,
procurar um guardanapo,
uma caneta emprestada,
batucar uma latinha
e ver que toda tristeza que se tinha,
ficou de lado,
um pouquinho,
passo a passo.

Jenny Faulstich
(Resende, 2019)


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Sucumbi de novo

Não dura muito, só um sufoco,
me fere, desmotiva, desestabiliza!
Parece um chute, um soco,
na cara, na alma, no entorno!

Jenny Faulstich
(Resende, 02/02/2020)