quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Demônio

Meu demônio inspirador,
sem razão e sem pudor
imoral, um desgraçado
que potencializa minha dor.

Sabe arrancar-me minha paz,
destruir meu santuário,
me machuca, me fere, angustia,
por sempre voltar atrás.

Diminui os meus dias
e liberta a minha pior loucura
com sua generosidade maligna
e a cara de pau desinibida.

Confio na justiça divina
a salvar as vidas envolvidas
e que um dia acabe essa rotina
de dormir com mil mentiras.

Jenny Faulstich
(18/11/2013)

O querido amor

Quem me dera ter um pouco apenas
da tão invejada inspiração de Neruda,
e um amor que não cabe nas palavras
e se dissolve nas sensações mais improváveis.

Sorrir sem graça, da graça de tudo
e não ter a vergonha ou o receio
de saber e defender que tudo acaba,
menos o amor.

Leminski já citava a "matéria prima,
que a vida se encarrega
em transformar em raiva ou em rima"
mas no fim da história, a moral que fica,
ainda é amor.

E o amor por si só é indefinido,
imensurável, infinito,
eu só, sinto.

Jenny Faulstich
(10/09/2013)

Abóbora com carne seca

Vejo em você todas as queixas que você faz de mim
e não só isso, mas cada palavra áspera,
dói, dói muito, dói de chorar,
e mesmo assim procuro a receita do que você gosta
só para poder lhe agradar,
mesmo correndo o risco de lhe fazer enjoar.
Poderia um dia enjoar da sua própria grosseria,
essa sua mania de me fazer chorar,
sua mania de errar, errar e não se importar.

Jenny Faulstich
(06/10/2013)

Mania de perdoar

Quanto mais esperança eu sinto,
mais tristeza eu ganho.
Que mania tem a mulher
de perdoar, perdoar e não desistir.
E quando isso teria um fim, uma solução?
Será que valerá a pena um dia?

Jenny Faulstich
(17/09/2013)

Cores do céu

Avistei a primeira estrela e a última esperança
antes do sol se pôr completamente
e o que separa tudo isso são vários tons de azul.
Por essas e outras gosto da estrada,
das cores do céu e o azul flutuante
que faz pousar minha vida e as minhas agonias.

Jenny Faulstich
(21/07/2013)

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Meus instintos mais reclusos

Meus instintos mais reclusos
de repente param de florescer.
Abandonados sem luz, sem esperança
apodrecem nas veias
em que um dia correram sangue.
É intimidade que se esvai
quando o desejo, dorme!

Jenny Faulstich
(30/10/2013)

Amor sequinho

Amor sequinho,
só de palavras
não afaga uma dor.

Jenny Faulstich
(30/10/2013)

Baixa imunidade

O coração está tão apertado
que nem parece mais o meu.
Desanima seguir e viver,
pois sorrir é uma bobagem
e chorar, faz parte.

As dores são muitas
e não dou conta para sustentar,
meu cabelo, perco,
junto com o esforço e a vontade
de talvez melhorar.

Jenny Faulstich
(17/10/2013)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Cerberus

O passado é perseverante,
minha agonia constante
e a paz, distante.

Jenny Faulstich
(02/08/2013)

Cachecol vermelho

Tem ferida que não cicatriza
e hoje minha raiva virou incenso.
A imaginação do mundo é a loucura
e a flor no cabelo é apenas um mito.
As lágrimas de hoje,
fazem renascer um novo dia,
e talvez o dia seja bom e frio.

Jenny Faulstich
(01/08/2013)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A sensatez me abandonou

A sensatez me abandonou
nos primeiros sinais do amor.
Não há motivo para quem dá motivo
e na miséria de quem se fere
busca-se a própria vida.

Jenny Faulstich
(29/07/2013)

Traumas

Hoje eu sei, que ainda não me recuperei
das dores, das agressões, das traições,
dos roubos, das paranóias, das obsessões,
das mentiras, dos descasos e dos amores.

Jenny Faulstich
(29/07/2013)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Essa alegria que vem

Essa alegria que vem
cheia de cansaço
e cheia de esperança
vem se entender com a minha fome,
meu sono e minha insônia infame.
Meu coração quer esse amor,
precisa e já o espera,
seja como for, já era.

Jenny Faulstich
(02/07/2013)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Fora de mim

Fora de mim,
como se uma esperança me tomasse conta,
é estranho, confuso e bom.
Bom tão sutilmente que chego a duvidar
e é uma dúvida tão kerida,
pois eu desejo essa esperança.
Quero mesmo acreditar numa mudança,
num desenvolvimento passional, poético
e principalmente possível!

Jenny Faulstich
(01/07/2013)

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quando a tempestade passar

Quando a tempestade passar
o que virá a me levantar?
O que poderei levar comigo
e o que eu conseguirei superar?

E o meu amor será o bastante
para ver o sol brilhar?
Não sei o que esperar de mim
nem se a tempestade vai passar.

Jenny Faulstich
(17/06/2013)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Súbita carência

Li um verso tão bonito e chorei,
não havia nada de difícil,
nada de complexo, era tão simples e
tão delicado que me tocou por todos os lados
envolveu meu coração carente,
versos do tipo de quem ama a gente.

Jenny Faulstich
(03/06/2013)


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Inibição cognitiva

Me falta inteligência, memória, equilíbrio e amor próprio!
Não posso mudar de idéia, a retardada tem que manter a opinião!
Não vou competir com troços que não tenho como impedir!
Não sei o que faço, o que penso, o que sinto, o que eu quero!
Tenho que aceitar as desculpas e fingir que não me influencia!
Posso estar certa, mas a culpa ainda assim, é minha!

Jenny Faulstich
(28/05/2013)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Chove em meus sonhos

Meu amor não chore,
porque hoje sei o que é o amor.
Tanto tempo equivocado
e hoje vendo o quanto na alma chove
tantos atos sem sentido,
que nunca ter admitido
só aumentou sem querer a minha crueldade.
Então não chore meu amor,
você não merece tanta dor,
a chuva um dia vai cessar
e só lhe farei feliz pela eternidade.

Jenny Faulstich
(28/05/2013)

Nunca será

O ventilador gira devagar
faz frio lá fora,
mas o ar,
pouco circula aqui dentro,
o ânimo também,
às vezes vem
e logo logo se vai.

A música toca repetida
eu digo que me faz chorar
mas não é a música
que faz deslizar as lágrimas,
e seja lá o que for,
nunca será compreendido,
e nunca estará superado.

Jenny Faulstich
(27/05/2013)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Ando nas nuvens

Ando nas nuvens...
de tempestades prontas para descarregar ao chão
e ora estou acima e ora estou no meio delas
somando toda essa energia que quase explode no meu coração
e tudo que eu queria era um pouco de compaixão,
respeito, carinho, consideração e quem sabe amor.

Jenny Faulstich
(23/05/2013)

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Trégua

E se hoje estou poética,
é porque consigo deixar por instantes
que minha sensibilidade supere
todo o mal que paralisa a minha vida.

Jenny Faulstich
(16/05/2013)

Chagas da existência (verdade ou mentira?)

Gosto de quando você sorri para mim,
me pede um beijo só com o olhar,
me abraça e me puxa para perto,
mas basta uma palavra para me afastar,
me fazer lembrar de uma tempestade devastadora
de desejos infames para todas, todas as outras.
É sobre mim que o olho do furacão estoura.
Uma linha tênue separa toda minha angústia do meu amor
e eu sigo esvaecida, traumatizada e repleta
das mais temíveis dúvidas e chagas da existência,
até qual parte seria verdade
e quanto do meu coração se perderia
na perversão de toda sua mentira?

Jenny Faulstich
(16/05/2013)

Segredo "nosso"

Tento achar explicações, motivos, sentido!
"Segredo! Não vai pensar mal de mim!",
receita de um bolo para fazer uma pessoa infeliz
e o segredo estava em usar tudo e todas
num objetivo sujo e pervertido!
Eu nunca saberia e viveria uma mentira,
até quando?
Não sei se conseguirei um dia
acreditar que a mentira teve um fim.
Tantas fachadas, tantos fetiches:
"confio em você, me sinto bem por falar contigo",
tantos "ois", tantos "contigos",
tantas tantas desgraçadas mentiras,
a mentira vinha até em meu nome,
que eu nunca também saberei,
nunca lhe conhecerei
e se fico a consultar
é para não esquecer do que de você
posso esperar!
É divergente demais
o discurso de cada tela:
"morre aqui, tédio mor, me falta a pele a pele",
"nunca mais mentiria para você",
e quanto mais descubro dos indevidos feitos
menos lhe entendo, menos lhe conheço!

Jenny Faulstich
(17/05/2013)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Esperança incoerente

Entrego minhas forças
e me sinto tão carente.
É tristeza que não acaba
e essa esperança incoerente
que me faz ter saudade da gente,
de quando eu achava ser só a gente.
Durmo sem saber de mais nada,
contando lágrimas
e abraçando a cada noite
uma ruína diferente.

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

Carinho enganado

Meu amor caiu por terra,
a desilusão chegou e se instalou,
vi tudo o que passou
e descobri que nada foi sincero.
A persistência que me conquistou
foi a mesma que me enganou
e todo o carinho que eu achava ser meu,
sem saber, eu dividia com um mundo inteiro
escondido de tudo.

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

Entediante

De todos os sentimentos que eu poderia causar
os maiores deles são o tédio e a insatisfação.
Achava eu ser tão boa, tão merecedora,
e hoje sei que não tenho sequer força,
de vontade, de sorrir, de viver.
A ilusão tem essa terrível mania
de fazer a gente acreditar em qualquer coisa,
até de que somos capazes do impossível.

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Sem critérios

Qualquer uma atrai
não há critérios ou algo mais,
logo, como ser diferente,
se todas as diferentes são iguais?
Como ser alguém especial?
Como crer, se nada se destaca?
Como amar e ser amada?

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

O que não quero

Nunca me imaginei sentindo essa dor,
tão destrutiva, tão sufocante,
o coração fica tão apertado, tão apertado
que parece que não vou resistir e morrer.
E o choro desesperado vem todos os dias e noites,
como um vendaval devastando tudo que encontra,
não dá pra fingir que não acontece.
A tristeza está em todo lugar que eu vá
e parece não querer mais me largar,
não sei mais o que eu quero,
mas sei muito bem o que não quero,
essa amargura no peito e na boca
e essa frieza do meu próprio ego.

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

Malditos monstros, maldito monstro

Se eu contasse seria inacreditável
então não diga que são coisas de outra cabeça.
Os monstros criados sempre vão existir
e eu não consigo mais acreditar em você.
Hoje vejo que nem me fizeram tanto mal assim
como você fez questão de me fazer.
As palavras pareciam tão sinceras,
mas não impediram de trazer os monstros para perto.
E eu não tive sequer a chance de me defender,
me entreguei totalmente e não fui suficiente para você.
Hoje sou castigada por me deixar encantar
e pago no corpo e na alma por cair na sua cilada.

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

Tola

Não sei se sinto nojo, tristeza ou vergonha,
ou ainda tudo junto fazendo uma mistura.
Meu coração nas mãos de quem não merecia,
uma tola lutando numa causa injusta.

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

Bom e ruim

É tão bom ter você por perto,
mas o meu receio é tão grande
e a sensação de rejeição também,
as dúvidas são tantas
que meu coração quase não suporta,
então o que é bom, é ruim também.

Jenny Faulstich
(30/04/2013)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Amor ou culpa

Nunca saberei se o que sente é amor ou culpa,
por tantos erros, tantas falsidades,
engana a si mesmo e propaga o mal
um mal tão ingrato e tão devastador
que não se calcula danos nem rancor.

A vergonha é incontrolável
e o frio que atravessa a espinha,
um corte de fora a fora na alma
que não mede mais teias e feridas.
Não sei onde começa a dor
e onde terminam as dúvidas,
só sei de que sou a continuidade
do que eu não dei partida.

Isso me desarma, me enfraquece,
me desestabiliza e entristece,
porque eu queria tanto acreditar
que seria verdadeiro amar
em toda plenitude da reciprocidade,
e acabo sempre em lágrimas pré julgadas,
tentando não me sentir culpada,
tentando me extrair da própria existência,
tentando parar de ver para conseguir dormir.

Declarações de amor e carinho
se perdem facilmente em outra tela
e a esperança sucumbe numa escuridão
tão maléfica e tão repugnante
que o desejo de um beijo, de um carinho
faz parecer uma ofensa ao meu ego ferido,
minha pseudo segurança, meu tão temido amor próprio.

Ahh malditas palavras, malditas!!!
Maldita a pessoa que as repetiam,
cobrava tanta confiança para desabafar
suas orgias mais necessárias e indiscretas,
sem critérios, sem pudor, sem a mínima decência,
sem nunca pensar nas consequências.

E eu lutando comigo mesma e contra fatos
para acreditar na possibilidade de um amor
como uma cura, uma superação,
uma forma de me permitir continuar na tentativa
de ser diferente, ser especial,
mesmo sendo a única pela quintilhonéssima vez.

Se outras não conseguiram,
por que eu conseguiria?
Sou tão normal nas chatices e manias,
não tenho dinheiro nem expectativa,
tinha apenas o sorriso e uma agitada rotina.

Quem me explicaria então a razão,
quem me garantiria se há solução,
se a mesma boca que fala que me ama,
me trai, me atrai, me fere,
irremediavelmente desmonta
qualquer ser pulsante
em tantas peças aflitas,
em tantas partes sofridas!

Jenny Faulstich
(22/04/2013)

sábado, 20 de abril de 2013

Seu cheiro

Seu cheiro já está no meu travesseiro,
seu sono na minha insônia
e a saudade nessa distância insana
de onde vem um desespero
que eu tanto sinto, penso, choro
e não compreendo.

Jenny Faulstich
(19/04/2013)

Estátua de bronze

Paciente, pacífica, passiva,
a diferença se submete
ao fantasma que me ronda.

Jenny Faulstich
(17/04/2013)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Alegria fabricada

Tristeza acompanhada,
alegria fabricada,
7 gotas na língua
e uma esperança na cabeça
de reerguer um coração quebrado.

Jenny Faulstich
(04/04/2013)

Passagem para voltar

As pessoas, os carros, os ônibus passam,
inclusive o meu e eu continuo ali, esperando...
um reconhecimento, uma compreensão,
uma passagem para voltar para a minha casa,
mas lá, ninguém me espera,
lá preferem que eu não esteja,
logo lá, o meu cantinho de chorar,
o meu cantinho de ficar quietinha
sem precisar ver ninguém,
e agora não posso ir para lá.
Para onde vou então?
Perambular pelas ruas
sem falar com ninguém.
Queria por momento a invisibilidade
e a bateria eterna do celular
para ouvir todas as músicas tocar mil vezes
até enjoar, ou até as pessoas pararem
de olhar na minha cara e sentir dó,
ou quando eu puder voltar para a casa
sem ser a mãe, a empregada, a chata
para quem eu gostaria de ser apenas a mulher.

Jenny Faulstich
(04/04/2013)

Oração do vento

Em toda minha vida,
meu desejo mais frequente,
quase uma oração, era
"Dorme criatura!!!
Deixa o vento levar suas angústias,
suas decepções e iluminada seja
a consciência de quem te fez chorar,
que se arrependa por tanto magoar"...
Afinal, quem na história,
"paga de otária"?
..."Me ilumine também,
que seja acalmado o meu coração tão humilhado
e que eu possa ver o melhor caminho.
Que minhas palavras não sejam mal interpretadas
e minha dor não seja subestimada".

Jenny Faulstich
(27/02/2013)

Um pouco só

Mesmo chovendo,
a vista da cidade é tão bonita,
e mesmo assim eu páro no hall do edifício deserto
só para poder ficar um pouco só
e chorar baixinho, sem pressão,
sem ninguém me pedindo para parar,
porque se eu páro eu não termino
e a vontade volta.

Jenny Faulstich
(27/02/2013)

sexta-feira, 22 de março de 2013

Jogo de cama

Amor não é obrigação
e sexo quando dá vontade.

Jenny Faulstich
(16/03/2013)

quarta-feira, 6 de março de 2013

O que seria

O que seria dos poetas sem as angústias.
O que seria de mim, se eu não falasse o que eu sinto
porque para a magia acontecer preciso de todos os sentimentos,
senão que bruxa seria eu?
E que amante seria eu sem um desejo e quem seria para mim?
Contudo, em resumo, sou apenas eu
e as letras desvairadas dessa caneta gasta.

Jenny Faulstich
(06/03/2013)

terça-feira, 5 de março de 2013

Coração de Pedra X (Renúncia)

Não houve a menor distração,
Mas a conquista aconteceu com grandes méritos,
Desabrochou enchendo meu coração de alegria.

O tempo generoso logo se encarregou de mostrar
A realidade, a desilusão, a destruição e a dor.

Tento mais uma vez desesperadamente me recompor
Me arrastando e respirando o ar de uma despedida
e adotando novamente a reclusão da alma e do coração.

Jenny Faulstich
(28/02/2013)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Gavetas

Você dizia que me amava!
Encaixei minha vida na sua
e me permiti essa aventura.
Arrumei suas roupas, suas gavetas,
com tanto zelo, tanto carinho.
Me ganhou na insistência
e me perde por inconsequência.
Mau caráter não é doença!
Não se trata nem se adapta.
E eu sou a fraca, eu sou a mimada,
eu sou a burra e eu sou a chata.
Eu sou a otária que abriu o coração
para mais uma alma vazia num pedestal.
Declarei um amor que eu achava que não queria
e hoje tenho um amor próprio para tentar recuperar.
Respeite ao menos a minha decisão!
Quando você for embora me perderei também,
mas ganharei mais espaço nas gavetas.

Jenny Faulstich
(25/02/2013)

"Me conta onde fica esse esconderijo secreto, o mesmo onde você sumiu com todos os eu te amo que me disse." (Martha Medeiros)

Fracassada

O tempo também pode ser uma lança
que devagar perfura o coração
fazendo sentir pedacinho por pedacinho
a invalidez de uma vida.
Me sinto tão fracassada
como cristã, como mulher,
queria eu ser evoluída o suficiente
para poder perdoar, poder ajudar,
mas eu não consigo sequer me reerguer.
Não consigo parar de pensar e chorar,
tentando compreender os porquês
e me perguntando o que eu poderia fazer
quando nada poderia ser feito.
Revejo minha própria poesia
para tentar entender o que se passa
com meus próprios sentimentos
minhas próprias sensações
na esperança de encontrar
apenas um pouquinho do amor que tinha
e hoje vejo somente o pó
que o vento aos poucos vai levar,
bem sei que não será uma cura,
mas consola-me esperar por uma nova fase a chegar.

Jenny Faulstich
(25/02/2013)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

3 dias

Hoje estou louca
estou isolada
estou desolada.

Nem a minha música me acalma,
é uma boca que cala e
um coração que quase explode
de tanto barulho, tanta lamentação,
um choro que não acaba.

Busco tanto a simplicidade
e encontrei alguém pra competir
competir não entendi muito bem em quê,
e acha que a vida tem tanta regra
tanto conceito, tanta filosofia,
eu perco as batalhas
e fico arrazada no outro dia.

Me sinto tão burra, tão ignorante.
Tanta coisa que eu achava estar superada
retoma no auge da minha agonia.
Uma tortura, um castigo,
na alma, no corpo,
na minha opinião que não posso expor
na minha defesa que não posso fazer
mas o julgamento é certo de haver.

Sou obrigada a admitir calada
e recordo minhas antigas prisões.
Eu não sei o que fazer,
é uma vontade de sumir,
uma vontade de morrer
ou de matar algo em mim.

Eu tenho medo,
de atender o telefone
de receber qualquer linha
e esta me faça sofrer, mais.
Eu não posso ter a fragilidade de uma mulher
eu não posso ser dura com meus sentimentos
eu não posso falar com quem confio,
eu não posso nada, nem dormir.

E a tortura não acaba
se ouso querer levantar
ganho outra porrada pra lembrar
que quem me conhece mais profundamente
não gosta de mim,
não conseguiria conviver ou suportar,
e eu só prezo a minha paz,
que paz sofrida, mal compreendida.

Meus filhos, minha casa, meus amigos
tesouros intocáveis tão destrutivos
a quem possa querer, algum deles me arrancar,
e a minha liberdade, jaz numa lenda
uma cova funda e nem posso citar.
E o trabalho, escravo ou não,
pernilongos voam,
ventilador ligado
não posso a perna acomodar.

Estou tão cansada, tão desanimada,
tão feliz e infeliz,
que não sei de mais nada,
preferia estar só feliz.
Me falta uma cachaça,
um abraço, uma salada,
um abraço forte,
e de graça.

Me basta tudo que é jogado na cara
o que passou, passou,
eu quero continuar na estrada
sem pagar cada kilômetro
com uma pá e uma enxada
desejando a morte
porque não posso voltar no tempo
e fazer diferente, já foi.

Essa dor que me corta,
essa língua afiada,
uma masmorra da sorte.
Quase um "metal contra as nuvens"
tão nobre, tão lindo, tão forte,
mas eu sou fraca, ridícula e esnobe,
pago por existir e viso a esperança
num tempo desforme,
um tempo que não é meu.

Como uma pessoa dorme
quando derruba a outra
e esta só sofre?
Não faz mais nada, só sofre.
Não pode fazer mais nada, só sofre.
Dói, chora, enlouquece e sofre!
Emudece a própria alma e sofre.

De tudo me cobram, e como vou recuperar
como fazer um acerto de contas
sem ter como pesar,
sem ter como comparar,
não tem como comparar, não tem!
Um nunca vai ser igual ao outro
e ninguém será perfeito.

Por que ter a própria individualidade
é tão difícil, tão impedida quando reinvindicada
a única coisa que eu teria teoricamente.
Uma pessoa triste que quer?
Uma pessoa triste terá,
e qualquer outra característica se perderá.

Não sei o que me inspira,
se é que algo me inspira,
talvez um pouco de revolta
por não saber me manifestar,
e a dor vai e volta,
e a criatura só sofre,
sozinha, calada, idiota!

Gota a gota a água vai preenchendo a garrafa
e uma dor de cabeça insistente
vai me derrubando enquanto imploro um colo,
um carinho, um afago, uma mentira, um consolo.
De tantas tantas ilusões
temo a indiferença impregnar na minha rotina,
não mais precisaria de uma cortina
pra me esconder, esconder quem precisa.

Que venham estrelas para o meu dia
que me mostrem o que mais necessito
que me devolvam um pouco do meu amor
tanto me apertaram que parte evaporou
e quem disse que um dia se emocionou
tenha consciência de onde é forte
e quando falhou, antes que tudo vire inferno,
tudo vire um deserto, onde a flor secou.

E eu nem disse tudo, nem chorei tudo...

Jenny Faulstich
(30/01/2013)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Não brigue comigo hoje não

Não brigue comigo hoje não.
Eu precisava muito rezar
e pedir luz ao Papai do Céu
nesses tempos de provações.
A noite está tão linda,
permita-me por hoje,
não chorar nunca mais.

Jenny Faulstich
(20/02/2013)

Destruidor

O que faço com minha esperança,
meu amor, minha desconfiança.
Está aberta uma ferida,
e a vida já tão envolvida,
que não sei se continuo,
ou continuo sozinha.

Jenny Faulstich
(24/02/2013)

Insuficiente

O que fazer quando dói?
Quando a mágoa faz que vai embora
e sempre retorna na memória.
Quando dá vontade de abandonar tudo e todos,
mas não tenho para onde fugir
nem tenho como correr,
só sei que dói quando cada palavra
se faz viva em minha mente
e me aperta o peito
como se tentasse me esmagar
e arrancar todas as minhas forças e vontades,
daí vem uma carência, uma agonia,
até mesmo um desejo de brigar por qualquer motivo
porque eu não consigo ser indiferente
não consigo mais confiar em ninguém,
nem mesmo em mim,
pois meu fracasso está na minha própria existência.

Jenny Faulstich
(22/02/2013)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Enquanto lhe digo

Enquanto lhe digo que lhe espero,
busca em tantas outras o prazer que lhe reservo.
Enquanto lhe digo que lhe quero
ignora o que eu digo e eu me desespero.
Não sei mais o que eu sinto,
enquanto você pula um muro para um deserto
eu resseco só, enrolada em um lençol
para enxugar as dores, a tristeza e a indignação.
Como me aceitar agora?
A vergonha pelo julgamento alheio
me rasga a cara, corta meu coração,
sem saber o que é pior, otária ou coitada.
E se eu contasse, seria surreal!
Mas é surreal! Surreal e deprimente.

Jenny Faulstich
(15/02/2013)

Sétimo sono

Ontem eu acordei chorando...
Uma imagem dominava os meus pensamentos
e se dissipou enquanto palavras cortavam o coração.

Gostava de quando você me olhava
e quando olhávamos para nós.
Bastou poéticas palavras
para que cortasse meu coração novamente:
"você já me conhece para saber onde mais
ter um pouco mais de mim mesmo quando eu não estou"
Hoje eu sei o porquê da sua irritação,
nem no meu sétimo sono você entenderia essas palavras.
Foi sutil e suficiente para distorcer o que eu quis dizer
e hoje eu adormeci chorando...

Jenny Faulstich
(15/02/2013)

Todo luxo acaba

Você curte a minha tristeza,
com outras tem tanta paciência
e eu não posso nem ficar chateada.
Mas tudo bem, tudo passa,
todo luxo acaba,
tudo um dia, vira graça.

Jenny Faulstich
(27/01/2013)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Eu te...

Eu te desejo
mais do minha pele possa sentir,
meus lábios possam esboçar,
minha imaginação pode buscar.

Eu te espero
mais do que as pessoas possam saber
por mais que tudo que eu diga não se faça entender,
mais do que o mais doce dos sabores
possa tentar amenizar minha ressaca física e moral
dessa embriaguês racional,
essa tentativa de fuga,
porque talvez eu não quisesse sentir o que sinto,
mas sinto e isso me revira dos pés a cabeça
toda vez que sinto a falta das suas mãos em minhas costas,
suas mãos simplesmente me tocando, simplesmente.

E nada do que eu possa suportar nesse momento
me dá a certeza de que, o que eu queira seja o melhor para mim, para nós.
Só sei que eu te desejo, te espero, já quis não te querer, mas quero,
quero que dê certo
quero que penses em mim,
penses com carinho em tudo que me dizes
e mais do que tudo, quero que estejas perto,
tão perto que não seja mais eu, apenas.

Jenny Faulstich
(03/02/2013)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ridícula

Madrugo o dia
e espero por chegar
os segredos da vida.
Devagar como o orvalho
extraído de você.
Eu durmo acordada
e já não sei mais o que digo.
De um carinho necessito
e não sei quando virá.
Quando do sonho eu acordar,
que eu não tema voar
e não aceite brigar, por nada,
nem pelas palavras que se embaralham.
Nem sempre é ruim ser ridícula,
me deixe dormir em paz,
mas serei eu bem vinda?
Me deixe dormir!

Jenny Faulstich
(29/01/2013)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lagarta fraca

O dia inteiro me fita
enquanto me retiro num casulo.
E eu não compreendo
em que você quer que eu me transforme.
Minha fragilidade posta à prova,
renova uma tristeza mesmo que não esteja.
Cuidado com o que você deseja.

Jenny Faulstich
(28/01/2013)

Minha adorável tristeza

Penso numa palavra
e a esqueço num segundo!
É um sono que passa
e um frio obscuro.
O dia vem,
a tristeza também
e não sou eu quem a detém
e fica faltando uma parte,
uma parte da cama,
do outro lado também.

Jenny Faulstich
(17/01/2013)

Me deixa chorar

Me deixa chorar,
às vezes é só disso que preciso,
sem perguntar por quê,
até porque às vezes nem é nada,
é só uma necessidade,
só preciso chorar,
expor uma tristeza só minha,
essa vontade de me perdoar,
e essa incapacidade para conseguir.

Jenny Faulstich
(28/01/2013)

Retribuição

Pudera eu lhe dar um presente hoje.
Mil coisas poderiam ser,
mas vou lhe dar algo que você já me dá,
de uma forma ou de outra,
inspiração e poesia.

Jenny Faulstich
(09/01/2013)

Confio

Meu amor,
tu não me és estranho,
em ti eu confio
e isso me basta.
Tanta gente contra
me deixa pasma,
mas além de ti
confio nos benefícios do tempo
e em nosso sentimento.

Jenny Faulstich
(06/01/2013)

Regressão

No primeiro dia
o Rio Preto me hipnotiza,
me tira por instante a dor.
Eu olho para a água
e desejo ser levada por ela.
Torno-me parte de uma pedra
e nela tanta tristeza,
tanto arrependimento,
tanta vergonha da qual tento desprezar.
Mas ela leva,
um pouco de mim, leva.
Reflito numa regressão,
revejo um conflito,
desfaço uma ilusão
e não sei mais porquê existo.
Uma folha negra encontra a minha mão e dança,
o esmalte dourado velho reaproveitado
é o que me resta.
Desapego da pedra após horas
e percebo o dia lindo que me cerca
e a folha colada em minha pele, disseca.
A água fria só não leva o meu fracasso
e o fardo com que terei que conviver,
uma atitude, uma reação,
uma ferida no corpo e no coração,
mas não importa mais se estou triste
a noite também está linda,
e com toda sua escuridão
se vê mais estrelas...

Jenny Faulstich
(01/01/2013)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Caixinha do altar

Por que os amigos se vão?
Sem permissão levam parte da gente.
Vão sem avisar quando seria o último show.
Deixam saudade e lembranças,
porém, ficam em falta com as novas histórias
em que ousaram não estar.

Jenny Faulstich
(03/01/2013)
* Ao amigo Lico Brasil, falecido em 02/01/2013. Saudades infinitas.