sábado, 20 de fevereiro de 2010

Cortante

A saudade
intolerante
pensamento
constante
veneno
sufocante
minha paz à prova
para lhe ter comigo
um abraço desejado
alguns dias apenas
a solidão me condena
às lembranças do passado

Jenny Faulstich
(20/02/2010)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

In guerra

Desconhecida é a influência
da nossa própria inocência.
Subestimada também a inteligência
por nós mesmos causando imprudência.

Conseqüentemente temos a prepotência.

Desconhecida é a preponderância
da nossa própria ignorância.
Subestimada também a angústia
por nós mesmos disfarçada em luxúria.

Conseqüentemente temos a discordância.

Desconhecida é a aversão
da nossa própria indignação.
Subestimada também a consciência
por nós mesmos impedida pela indolência.

Conseqüentemente in guerra com nossa carência.

Jenny Faulstich
(2005)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cú e poesia

Terna, romântica, serena,
bruta, forte, sem esperança,
baixa auto-estima e inconstância,
mas não tenho sangue de barata
nem me vendo por pirraça!
Não há quem ouse pessoalmente me chamar duas caras,
porque sabem que não terão outra cara para dar a outra face.
Querem comer o rabo da santa musa sereia alheia ciumenta
e matar os manés dragões livres como prova de amor.
Tomar no cú seja quem for, ela, e
o covarde doente que diz morrer de amor.

Jenny Faulstich
(01/02/2010)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Eu não sou ruim assim...

Eu não sou ruim assim.
Não é possível que seja.
Lamento lhe decepcionar.
Não sou tão ruim assim.
Não esperasse de mim
o que eu não poderia lhe dar,
atenção, bom humor constante,
sou humana, também hei de chorar,
irritar, argumentar,
perdoar ou não perdoar,
dormir e acordar...

Jenny Faulstich
(13/01/2010)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Insinuações

Você pelo menos conhece uma forma,
eu não tenho pra onde correr.
Do que não faço,
você cria histórias
e eu só queria estar com você.
Mas parece que prefere não estar,
me empurra constante
em direção ao que imagina
e cá estou de novo sozinha a sofrer.
Esse tipo de versos que gostaria que eu trocasse?
Agora estão aí, fique a vontade!

Jenny Faulstich
13/01/2010

Coração de Pedra IX (Monstra)

Tanto me julgam
me falam pelas costas,
acreditam que não choro
por dizer não amar.
Amo tanto quanto vivo
e acho melhor não divulgar.
Sequer troco versos de um coração de pedra
pois esses se dão sem nada esperar.



Jenny Faulstich
(13/01/2010)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cospe grosso



Jenny Faulstich
(12/06/2009)

Fotografia

Imagem que nada diz
ilusão adquirida
quando se imagina
o que por ela seria dita.

Jenny Faulstich
(05/10/2008)

Composição

Arte azul
compondo um painel
de vozes ecoando
em movimentos insensatos
harmonia que independe
lógica, prosa ou cordel
desenrola tão clara
ao som de um pincel
felicidade sem igual
confundindo a realidade
nada melhor
do que sentir arte!

Jenny Faulstich
(26/05/2009)

Uma chance de falar

Você diz adeus e sai.
A chuva chega violenta
e diz muito mais
do que eu humildemente gostaria.
E o que eu tenho pra falar
fica pelo vazio a me silenciar.
Sem uma chance de falar
caio feito a chuva
que há de lavar
pobres almas que não sabem amar.

Jenny Faulstich
(12/01/2010)

Antes que eu enlouqueça

Antes que eu enlouqueça
relato uma ausência,
como ouso não amar
com tão pouco tempo
nessa vida a delirar.
Ingrato castigo
do oposto espelhar,
a luz que vai
há de voltar.

Jenny Faulstich
(26/05/2009)

domingo, 3 de janeiro de 2010

Malditas regras

Prazo para sentir...
Intensidade?! Medidas?!
Prazo para sorrir,
para chorar, afastar,
prazo até para morrer!
Negar culpas, fracassos.
Admitir que não somos um quadro, estático,
não temos roteiro, fato.
Somos sentimentos e atos,
não há regras, não há cálculos,
a não ser seguir e deixar a vida,
tudo vale cada ferida,
as situações desconhecidas,
as palavras compreendidas.
Generalize o mundo, a vida,
e aí estará, um ser egoísta.

Jenny Faulstich
(03/01/2010)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quando quero um descanso...

Rasgando o coração,
como quem rasga uma carta que nunca chegou...
Sigo amarga, medrosa,
repleta de um carinho que sofre...
A cada melhora
uma nova desgraça me aguarda...
No meio da noite me decomponho
e amanheço num sorriso
como se fosse uma obrigação...
E eu queria apenas um descanso,
minha aventura mais perturbadora.

Jenny Faulstich
(20/10/2009)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Amor fantasma

Amor fantasma,
arrastando corrente pela sala...
de espera...
uma saudade, eternidade,
que agoniza e pesa,
avança o tempo,
mais perde quando mais tenta
e se perde permanente
arrastando corrente...

Jenny Faulstich
(16/09/2009)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Santinho

Agora eu vi
seu lado malvado,
meia palavra
um recado,
um abraço enviado
um beijo ganhado.

Jenny Faulstich
(26/08/2009)

Sem nexo

Minha viagem
imagem
de tudo e de todos
saudade
me invade o abandono
de causas e adornos
o bando segue solto
por várias estradas
desconhecidas de um sonho
sem nexo, convexo
não me deixa acordar
me puxe pela mão
para outro lugar
outra imagem, saudade,
aqui posso ficar...

Jenny Faulstich
(31/08/2009)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Zelador

Redescobrindo as estrelas
enquanto um felino me observa,
caminha ao meu redor,
aguarda até eu me deitar,
me cheira, ronrona.
desvia meu olhar,
faz como quem lê o que eu escrevo,
faz como se entendesse
o que há em meus pensamentos
tão tristes,
mas não tão sozinhos
enquanto esse felino
meu sono zelar.

Jenny Faulstich
(26/08/2009)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Verdade e consequência

Seu abraço,
seu cabelo,
sua cor,
sua voz,
sua boca,
seu jeito de olhar,
suas palavras escolhidas,
seu nervosismo tranquilo,
sua energia tão boa,
sua forma de pensar,
não tive escolha
pouco a pouco, me encantar,
saí do meu mundo por um tempo,
e estou temendo voltar,
me conheço, não tem jeito,
converto o frio, o arrepio
de não mais te encontrar
pelo prazer da lembrança
de quando pude contigo estar.

Jenny Faulstich
(20/08/2009)
* Para Fabrício Borges

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Bazar

Vendo meus sonhos,
dôo meus pesadelos,
empresto minhas asas,
deixo meu sorriso,
passo o que eu sinto
porque não sou capaz
de guardar para mim.
Na falta de interessados
pode levar o que desejar,
meus olhos, minha boca,
minhas palavras tristes,
meu suicídio coletivo,
meus momentos de loucura,
meus instantes de poesia,
minhas breves lembranças,
meu instinto de parasita,
seja lá o que pareça ser
e não é.
Vida, luz, coragem,
fraqueza, solidão,
minha imagem,
minha busca na arte,
tato, audição, paladar,
minha essência empoeirada
na vitrine de um bazar.

Jenny Faulstich
(17/07/2009)

Um dia de cada vez

Será que ninguém entende...
que se eu passar um tempo comigo mesma
não vai mudar em nada minha imagem.
Um conselho desse pra mim
não se passa de uma tentativa até que inteligente
de dizer que seria bom que eu sumisse e
parasse assim de perturbar a paz alheia.
Mas só o que quero é viver um dia de cada vez.
Seria muito? Ou pouco talvez...
Só tenho feito trabalhar, trabalhar, trabalhar.
Mesmo que entre festa ou outra...
trabalhar, trabalhar, trabalhar...
Não quero enganar ninguém,
extrema, realista, vestindo carapuças,
entre lágrimas e sorrisos,
apenas um dia de cada vez.

Jenny Faulstich
(24/07/2009)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Leio versos de amor

Leio versos de amor
como se fossem para mim.
Dedicados a uma paixão,
tão imensa e tão longe de mim.
Por um curto tempo
fujo da minha verdade
e faço minha
aquela tão boa saudade.
Leio versos de amor,
mas só me encontro
nos de amizade.

Jenny Faulstich
(21/07/2009)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sentir e chorar

Sentir e chorar,
no final do dia
me encarcerar nas palavras escritas,
nelas desabar,
despejar sem cessar,
dores, tristezas, horrores.
E quantos horrores
a me assombrar
sempre que me lembram
e que me comprovam
que não vale a pena
ser o que sou
e isso nada vai mudar.

Sentir e chorar,
iniciar mais um dia
sabendo como vão me olhar,
sabendo que nada vai mudar
esse bicho do mato
que insiste estar.
Sentir e chorar,
nada a mais,
nada a menos,
só, em meus braços
um abraço só meu,
e isso nada vai mudar.

Jenny Faulstich
(17/07/2009)

Não repare

Não repares se sumirei por uns tempos.
Não repares se deixarei de ser acontecimento.
Não repares minha intuição,
porque conheço meus sentimentos.
Te deixarei só com teus pensamentos,
para estar em qualquer lugar,
como costume já há,
e caso algum momento venha a notar,
posso não estar
onde e como queiras estar.

Jenny Faulstich
(17/03/2008)

Nunca serei

Não tenho como competir
com nada nem ninguém.
Não importa como eu seja,
não importa o que eu sinta,
nunca serei alguém
capaz de ser para alguém.

Jenny Faulstich
(22/09/2008)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Tropeço

Eu que tão inspirada estava
tropeço numa pérola que do amor escapa,
abandono o "retrato que me faço",
como diria Quintana, "traço a traço"
e volto a me pintar nuvem,
me pintar num estado só, sem laço.
A ilusão durou pouco,
de volta a realidade então,
espontânea e desigual me refaço.

Jenny Faulstich
(23/06/2009)

terça-feira, 16 de junho de 2009

Obra prima

Obra prima
esculpida no papel
um grito expelido
num momento fascínio.
Amanhã não será tão bom.
Reconhecimento talvez.
Atos julgados
refletidos outra vez
em ângulos distintos,
cores, flores, espinhos,
uma ferida na alma,
uma obra dedicada.

Jenny Faulstich
(26/05/2009)

Caneca de chocolate

A loucura cada vez mais
a caminhar ao lado da gente.
Uma voz,
uma ilusão,
uma caixa de papelão,
lixo que reciclo
ou não reciclo,
o que fazer com o desperdício?
É amor que sobra,
atenção que falta.
É solidão que sobra,
carinho que falta.
E quem aí quer,
uma caneca de chocolate quente?

Jenny Faulstich
(15/06/2009)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Não estranhe essa saudade...

Não estranhe essa saudade
que provoca em mim...
Essa insistente vontade
que me inspira...
Melhor não tentar entender,
só deixar acontecer...
Relaxe e confie em mim!
Estranha saudade,
fatos, desejos e afins.

Jenny Faulstich
(10/06/2009)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Recíproco

- Bom te ver sorrindo!
Bom também rir da tua cara.
Bom ver que você também
gosta de me ver sorrindo
e que também ri da minha cara.
Em tempo recorde,
entendemos nossas piadas,
e às vezes rimos sozinhos
sem ninguém entender nada.
E por algo muito mais além disso,
bom te ver... sorrindo!

Jenny Faulstich
(04/06/2009)
* Ao amigo Edinho Miranda, na ocasião de seu aniversário.
Desejo muitos sorrisos, meu querido amigo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Alquimia

Incerteza,
um gancho que arranca
do íntimo do ser
visceral feitiço,
amargoso fel,
onde haveria de ser mel.
Desritmia,
pulsa uma solidão escurecida,
desfavoreço,
maltrata lendária enlouquecida,
esquecida,
entre o fio de luz,
o pó, uma esperança longe,
uma alquimia.

Jenny Faulstich
(04/06/2009)