segunda-feira, 18 de abril de 2022

Cicapari

Ela tão grande, tão única, tão minha,
Onde haveria tatuagem, há uma história!
Ele tão vermelho, gelado, bonito,
Como o amor, doce antes do amargor.


Jenny Faulstich - Foto Celular
(Resende, 18/04/2022)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

31 de dezembro de... quase 200 mortes em Resende

Penúltima noite do ano
e eu não fiz foto da Lua,
brilhante, cheia, acordada,
enquanto costuro inúmeras máscaras,
enquanto tem gente aglomerada na balada,
enquanto famílias recebem 
a notícia que ninguém deseja:
alguém não vai voltar pra casa.

Jenny Faulstich 
(Resende, 31/12/20)

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Live

Um violino que canta.
Uma poesia que grita.
Grita porque pode e precisa.

A vida espia, arrepia,
por uma tela de poucas polegadas,
com película e capa,
dessa live travada, encantada.

DoiZé, trio ou sozinho,
a arte continua
espremida nessas linhas
ora fofa, ora "Lobo",
ora "João de Barro" professor.

Gratidão pela luta, resistência, "algo maior".
Flores brotam em ventanias, enquanto tantos
fecham os olhos, coração e ouvidos,
outros inspiram os próximos dias.

Jenny Faulstich
(Resende, 11/11/2020)

sábado, 29 de agosto de 2020

Girassóis fantasmas

 

Girassóis guardam a lenda,
do castelo, uma fantasma observa,
a sombra do guerreiro que aparece em sonho,
pra quem tem a curiosidade desperta.

Jenny Faulstich
(El Coronil, 23/07/2018) 

sábado, 22 de agosto de 2020

Meu resumo de paz com o tempo

Um teto seguro, cobertores,
água limpa, comida,
filhos amigos, zuadores,
um gato de cada lado,
já posso morrer, de amores.

Jenny Faulstich 
(Resende, 21/08/2020)

domingo, 24 de maio de 2020

Quarentena eterna

Nunca mais tudo o que já vivemos será parecido.

As lembranças que temos, nunca mais serão parecidas. 

Os amigos não serão os mesmos, já não são.

Os costumes também não.

A decepção com atitudes alheias, imensurável.
O egoísmo gritante e horripilante, desnortea.
A vontade de fugir só aumenta.
Atualmente fugir se equipara a ficar em casa.
Fugir nunca foi tão digno!

Ficar isolado consigo mesmo.
Fugir do mundo e mergulhar no seu próprio.
Aceitar que toda a sociedade está doente.
Cansar-se demasiadamente de se preocupar
Com quem pouco está se lixando para os outros.

A quarentena está para o resto de muitas vidas.
Algumas que até já se foram...
O luto seletivo é um dejavu.
De tantas tragédias da humanidade,
A mais humilhante é não se importar.


Jenny Faulstich (Resende, 24/05/2020)

terça-feira, 14 de abril de 2020

#TBT de flor...



#TBT de flor,
de mato,
de cara lavada,
de Visconde de Mauá,
partiu fugir pra lá???

Jenny Faulstich
(Visconde de Mauá, 19/03/2020) foto celular

domingo, 12 de abril de 2020

"Florescer na dor"

Ilustração: Talita Abreu @talitaabreu.art
(Resende, 29/03/2020) 


A beleza e o horror de lidar com o desconhecido:
incerto, porém previsível,
temido e esperançoso,
também teimoso feito um idoso,
que não fica em casa
e quando fica, deprime!
Essa profunda tristeza desencanta.
Procurar o sentido de tudo
é um inútil desafio!
O mundo inteiro afetado
enquanto eu brigo, choro, durmo ou sorrio
assistindo tamanha dor que germina,
prolifera e também extermina feito pragas,
certo tipo de vida que escancara
ganância, vaidade e egoísmo.

Jenny Faulstich
(Resende, 30/03/2020)

sexta-feira, 10 de abril de 2020

4:46

Não consigo dormir!
Fecho os olhos e fico impressionada
com a imagem do cadáver
do filme da madrugada,
ficção e uma apocalíptica realidade.
Começo a lembrar de outros filmes,
repito orações pedindo um sono suficiente.
Ouço bater o portão,
uma criatura indo buscar o fim lá fora.
O toque de recolher da porta pra dentro
não faz quarentena do pensamento,
uma loucura instaurada,
massivamente, sem hora marcada.

Jenny Faulstich
(Resende, 02/04/2020)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Foi-se




O espelho aponta defeito e até aumenta
e de tanto observar detalhe,
o amassado da cortina incomoda.
O cansaço pede água e um amparo,
o gato escolhe seu lugar na cama,
arrumo tudo que eu preciso e deito,
bem mais tarde do que deveria.
Espero que o filtro de sonhos funcione,
tanto de noite quanto de dia.
O que era pra ser esse poema 
não importa mais, foi-se.

Jenny Faulstich 
(Resende, 09/04/2020) foto celular 

sábado, 14 de março de 2020

731 dias sem ela

No dia da poesia,
2 anos, 731 dias,
sem justiça,
sem resposta,
sem ela,
a voz da favela,
do pobre oprimido
com tanta mazela,
desrespeito, fome
de comida, de vida,
dignidade, já esquecida!
731 dias sem ela,
que tanto lutava,
se fazia presente,
ontem, hoje e sempre,
Marielle, presente!

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/03/2020)