quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Ousadia

Dias de folia,
muita festa,
muita alegria!
Hoje, há cinza do dia
e o roxo no meu pescoço 
pra me lembrar da sua ousadia!
Meu personagem mais fervoroso
garçom paciente, sério, indecente,
naquele traje mais do que suficiente,
audaz, firme, forte, obediente.
Fez memória da minha fantasia
agora realizada, ainda despida
espero o próximo ato de rebeldia
sem aquela sensatez aparente
somente a gente, numa paz escondida.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/02/2024)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Buraco de onde saiu

Só queria que a pessoa voltasse
Pro buraco de onde o resgatei.
Eu já estava esquecendo aquela existência
Mas quis mesmo colar a mesa na minha
Com tanto lugar pra ir, foi desfilar na minha frente
Ouviu sim e não me importa o que esperava de mim
Tenho sangue tão quanto tenho memória
Esse mesmo leal aliado auto sugerido
Falou de tudo para me diminuir
Mesmo sem saber nada de mim.
Conveniência e interesse definem
Uma falsa convivência
Uma falsa importância 
A tentativa de sempre sair por cima
De tudo, de qualquer pessoa
Cuspindo no prato que comeu
Desonrando o que prometeu
Distorcendo o próprio discurso
Todo registrado, tudo escritinho
Como sempre gostou de fazer:
Chamar qualquer dia, qualquer hora
Pra tudo que desse na telha, dizer
E ainda vem me cobrar paz?
Vexame é se achar dominante
Me bloquear depois dizer que fui importante
Diz que não agrediu, mas sim e feriu,
Consciente e com requintes de crueldade.
Nada do que eu fizesse seria compatível
Com o desprezo conquistado com próprio mérito 
De covarde, egoísta, misógino, arrogante
Que insiste em conversar o já conversado
(Quando mencionou mentira e injustiça)
Mas deve ser porque não consegue suportar
As consequências do que foi plantado.
A única coisa que preciso mesmo me perdoar e superar
É ter acreditado numa suposta consideração
E que haveria no mínimo, respeito 
De onde só veio deboche e provocação.

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/02/2024)


Maldita hora

Óbvio que eu não seria lembrada
fosse por qualquer coisa boa que eu tivesse feito
tamanho nível de narcisismo
que um indivíduo possui.
Só gostaria de me permitir a inexistência!
Mas tão quanto outra pessoa
que tanto me fez mal,
falta consideração e empatia,
sobra manipulação e síndrome de vítima.
Maldita hora em que parei para escutar.
Maldita hora em que cruzaram minha vida!

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/02/2024)

Descarte

Fácil arrotar superioridade
quando se sai ileso.
Quando há ferida e está doente
não há mente que aguente 
palavras que retrate
imunidade que se sustente
com as velhas e novas dores,
mais traumas e gatilhos instaurados.

Fácil esquecer quando nada foi sentido,
nenhum contrato foi quebrado.
Quando a depressão grita
em silêncio dentro do quarto
o mundo todo continua lá fora
enquanto se remoe ingratidão e descaso.

Mas é querer muito se fazer entender.
É querer muito tentar esquecer
e ser sempre lembrada,
como se fosse ontem,
como se fosse fácil, 
como se eu fosse inútil,
ou até fosse útil,
mas somente antes do descarte.

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/02/2024)

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Frutos de um silêncio covarde

Palavras enterradas
Nunca pronunciadas
Nem que sim, nem que não 
Só dúvida, humilhação 
Intimidade invadida
Maldade e distração.
Tanto tempo já passado
E esse maldito ciclo não fecha
Eu não merecia nada disso
Tantos frutos da sua covardia!

Jenny Faulstich 
(Resende, 30/01/2024)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Canta da sua própria letra

Canta da sua própria letra
Cuida da sua própria vida 
Faça um favor pra nós e me esqueça
Não mande mais mensagem
Não me queira mais na sua rotina
Que você não merece nem uma nota
Dessa pessoa que você tanto esnobou
E só percebeu agora o quanto importou
Seu tempo passou, um amor se cansou
Daqui pra frente não há mais
Aquela amiga que o encontrou.

Jenny Faulstich 
(Resende, 27/08/2023)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Eu não sou...

Eu não sou aquela que convidam pra sair
Eu não sou aquela que chamam pra dançar 
Eu não sou aquela a quem oferecem bebida pra agradar
Eu não sou aquela apresentada mais que amiga
Sou só a que chora, deprime, desaba sozinha
Mesmo que no meio da multidão
Porque eu não espero o convite
Ele não virá
Eu quem chamo pra dançar 
Ainda assim fazem negar
É só um chamado pra dançar 
Há quem pense que é pra casar
E casar não quero
Quero só fazer parte de um todo
Me sentir normal
Não uma aberração
Que junta interesses e interesseiros
Mas ninguém quer se juntar.

Jenny Faulstich 
(Resende, 28/12/2023)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Migalhas

Me deixe pra sempre aqui
Nessa mistura de sonho com tesão
Desejo surreal, espera com tensão
É tão gostoso, tão gostoso
Mas percebo o falso silêncio do seu gozar
E pode olhar, ver o que está fazendo
Pra depois, muito bem lembrar
Do movimento e do que não se deve 
Entre o esquece ou de novo acontece
Só se pra você também for gostoso
Já que sinto e falo por dois, por três
Sigo buscando reciprocidade outra vez.

Jenny Faulstich 
(Resende, 02/01/2024)

domingo, 31 de dezembro de 2023

Ano prazer novo

Pulsar, vibrar, tremer,
Pensar em você!
Aquela pressão que me faz gemer
Delírio físico além do ser
E até em sonho me dá prazer.
Expectativa e vontade
Desde o último entardecer
Para que nessa virada de ano, 
Conhecer, reconhecer, acontecer!

Jenny Faulstich 
(Resende, 31/12/2023)

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Único encontro

Ele veio, muitos kms de distância 
Chegou de surpresa, de presente 
Brindamos, dançamos, abraçamos 
Entrelaçamos algo a mais que palavras
Já que nem eram tão necessárias 
Não ali, não naquele momento
Ali eram só beijos e carinhos nos cabelos
Celebração de um encontro
Um achado feliz a primeira vista
Conquista garantida por parte dos dois 
Que noite feliz, que não vai se repetir.

Jenny Faulstich 
(Itatiaia, 14/10/2023)

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Taça

O que tinha a mais naquele vinho
Que fez a taça não ser suficiente
Surpreendeu-me ao beber na curva
De onde eu não pudesse ver tal travessura
Também bebeu-me em temperatura ambiente
Amanheceu-me tendo o sol como testemunha
Chegando o momento do café quente 
Combinado com mel e sorvete
A cozinha só pra gente
Tomou-me novamente!

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/12/2023)

Saliva do ódio

A música foi ouvida
O tempo ia passando
Saliva do ódio escorrendo
Enquanto aguardava 
Uma boa vontade
A paciência digerida 
Resmungar fazia parte
Resolver apenas um detalhe
Um riso sem graça escapava
Até me ganhar no abraço
Ajoelhado, tão gigante
Sua mão e olhos em mim
Fez parecer que se importasse
Com minha alma já entregue
A raiva e segredos da madrugada.

Jenny Faulstich 
(Resende, 26/12/2023)

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Estorvo

Uma voz desconfiada e mecânica 
Como riso, desaparece no outro dia
Um pedido de socorro
Esperança encerra de novo
E tudo que sobra é aprendiz
De vida insalubre, danificada
Ceviche com noz moscada 
Uma enxurrada de desinteresse motriz
Vácuo, sentimento de estorvo
O final sempre infeliz.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/12/2023)

Avaliando friamente

Hoje em dia, avaliando friamente,
você não iria mesmo ficar ao lado
de alguém que não lhe concordasse sempre,
que não brincasse de pique, sendo eu a infantil,
seria vergonhoso e triste pra você, eu sei...
Não correria com você nem se eu quisesse.
Acredite, já precisei por mim e travei!
Minha situação é outra, é diferente,
quero só curtir em paz o que me apetece,
do que sou capaz e pra quem eu baste,
sem precisar fingir, sem constranger,
enlouquecer só da mais pura alegria, 
poder ser quem sou e pertencer sem sofrer!

Jenny Faulstich 
(Resende, 19/12/2023)

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Lágrima descompensada

Palavras mortas
Amparo de afeição 
Despejo 
Caminhos 

Cansaço 
Depressão 
Tamanha covardia
Vaidade prioridade 

Treze do doze é hoje
Mais de um ano passado
Um assombro madrugado
De malditos e mal amados.

Jenny Faulstich 
(Resende, 13/12/2023)

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Oráculo

Consulta de fatos
Casos subestimados
Onde há somente poesia
Curiosidade de quem espia
Bem vindos sejam todos
Tanto de amores enrustidos
Quanto de maldade revelada
Aqui reuno arte imaculada
Independente de quem sente
Eu sinto e me basta, tente!

Jenny Faulstich
(Resende, 05/12/2023)

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Me vira do avesso

Tão insaciável que desidrato
A sensação é de mini infarto
Quero parar, quero continuar
Mal posso me controlar
Insistente, resistente
Firme e delicadamente 
Me vira do avesso
Me arrepio inteira, me contorço
Sem cobrança, sem esforço 
Sem julgamento, só desejo
Mais uma vez tem meu gozo
Mais uma vez, que gostoso.

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/10/2023)

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Não é ódio

É nojo, não é ódio!
Choro chorume inveja
Entre o altar e o pódio
A alma no chão
Do lixo não levado
Desinteresse semeado
Modelo silenciado 
Não discuto 
Empurro a mala
Fora do eixo
Vida a dentro
Arrependimento em cárcere privado
Ordinário mal desnecessário.

Jenny Faulstich 
(Resende, 10/09/2023)

terça-feira, 3 de outubro de 2023

Manteiga de cacau e açúcar

Receita da cura 
Ressaca moral 
Falta de memória 
Recuperar o vácuo 
Que deixei na história 
De beijos e muitos abraços 
Sem noção de espaço 
Dor ou julgamentos 
Feliz contentamento
Na noite adentro.

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/07/2023)

Under stars

Valores são relativos
Oportunidades podem não voltar
Aproveito todo instante mesmo
Sem muito pensar 
Melhor superar ressacas
Ao arrependimento de nem tentar
Coisas de quem já está em ruínas 
Meu teto é o céu, meu amor
pra quem também quiser olhar.

Jenny Faulstich 
(Resende, 26/08/2023)

Toalha, feira, cerejeira

Nos identificamos pelos nossos ideais estampados!
Na minha mente tão errante,
eu lhe beijo desde aquele lindo dia,
despretensioso dia, da toalha.
Creio você sequer imaginar tão delirante,
sua bolsa retornável de feira repleta
enquanto na minha térmica só bebida estranha.

 Um amigo desconfiado de um lado,
contra dois incentivadores do outro.
De humanas, a clara conta
fez-me procurar não lhe perder, e sim,
tínhamos mais um tanto em comum a conhecer.
Bem como uma certa amizade solicitada,
outrora ignorada, foi imediatamente consertada.
A partir desse momento, no mínimo instigante,
um breve toque no meu cabelo rosa,
deixou algo além, que ainda nos envolve.

 Mesmo sem a chance de lhe ver de novo
e sem que você conseguisse dizer
o tanto que quer, e nem precisa,
foi tomada emprestada as cerejeiras da poesia.
Só sei então que sempre dormiremos distantes
e na linguagem do afeto seguimos pensando
no que vamos lendo, ouvindo, cozinhando...

Jenny Faulstich
(Resende, 12/07/2023)

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Pantufa

Da esperança ao sentimento de desdém 
Um acaso encontro, um segundo apenas
Tornando-se desencontro
Onde tão intimamente conheceras
E entendo então a negativa
Porque bem sei que não sou atrativa
Não sou quem se apresenta
Não sou namorativa
Mulher pantufa que o diga
Ficar, só de forma escondida, 
Pra não causar vergonha
Seja da idade, do jeito, da aparência 
Nada que já não esteja acostumada
Nada que sempre não cause dor
Hora de prazer passada, 
realidade encontrada, dissabor.

Jenny Faulstich 
(Resende, 22/09/2023)

Saída

Aos poucos vou me esquecendo
de detalhes do seu rosto.
E de pensar que tinha em mente decorada
sobre cada pintinha, cada marquinha,
o formato e gosto da sua boca.
Seus olhos outrora tão definidos
se perdem na minha memória feito revoada.
Do abraço na janela ao toque do violão,
não sinto mais do que notas bem distantes
quase que inaudíveis, sussuros destoantes.
Em breve será como eu já lhe fui,
nunca nem existi de tão insignificante.


Jenny Faulstich 
(Resende, 16/08/2023)

"In the ghetto"

Seu jeito lento e enrolado de falar já meio alto
e de ficar preocupado com o que eu escrevo,
sendo que você compõe, então qual é a diferença?
Você até disse que se eu quiser, me faz uma música,
mas ela tem que vir porque você quer, não eu,
embora você já tenha até me dado o nome.
Eu hein, engenheiro sem controle do controle,
rindo horrores, se divertindo enquanto procura,
entre tantas, a sua preferida do Elvis,
"In the ghetto", que não me esqueço.
E seu niver chegando, eu consciente 
de que seu presente vai ficar na gaveta
de calcinhas, meias, utensílios íntimos,
amores insurgentes e encontros de veneta.

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/07/2023)

sábado, 26 de agosto de 2023

Pergunte

Pergunte a ele em off
Do que ele sente mais falta
O carinho da escuta
O humor faceiro
A energia de dia inteiro 
Disposição na noite adentro
Talvez só do abraço 
Ou nada disso
Foi tudo esquecido,
Apagado, inexistido
Feito aquele beijo surpreendido.

Quanto tempo perdido
Quanto erro repetido 
Só perguntar ao arrependido
De ter me conhecido.

Jenny Faulstich
(Resende, 10/06/2023)

Encaixados

Inevitavelmente aos meus pés,
do início ao fim, intercaladamente...
Dos pés, ora subindo até
entre as coxas, encaixadas,
me fez lembrar o que é ser desejada.
Surpresa despretensiosa
pós uma troca de olhares,
meia noite de conversa
ao silêncio daquele quarto espelhado
onde só começamos o nosso pecado.
Dali para cafés, beijos e bailes,
rolês a dois, carinhos e pernoites,
rotina, trabalho e pets compartilhados,
sempre muito bem combinado e
por tempo determinado...

Jenny Faulstich 
(Resende, 08/06/2023)

Saudade do mar...

A encomenda chegou após a despedida.
A surpresa pensada, cancelada.
Um outro amor já o aguardava
e de novo sigo sozinha, sem nada,
somente com a peça esperada
agora devidamente dobrada e guardada 
na mesma gaveta em que eu contigo sonhava.

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/07/2023)

De uma noite pro dia

Saudade daquele beijo
demorado, saboroso,
consciente, indecente,
sabíamos o quanto estava gostoso
aproveitamos, cantamos,
abraçados descansamos,
entre cobertas e travesseiros
começamos tudo de novo.

Jenny Faulstich 
(Resende, 25/07/2023)

Febre, fome, saudade...

Febre, fome, saudade...
Ontem de novo eu dormi pensando em você,
do nosso encaixe, conchinha e encoxadas,
de quando você me procurava,
sua mão buscava a minha
a encontrava e a gente se enroscava.

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/07/2023)

terça-feira, 22 de agosto de 2023

Desconsolo

Tão bonita, tão deprimida,
tão desgostosa da vida!
A mente tão ansiosa e aflita, 
remoendo tristes lembranças, feridas,
fragilidades inevitáveis da vida.
Repreendida, incompreendida,
intimidade esculhambada,
momento algum defendida.
Ao contrário, a carga foi ofensiva,
fui infantilizada, inferiorizada.
Como não ficar deprimida?
Machucada pelo egoísmo e vaidade
de quem a todo custo, quis sair por cima.

Jenny Faulstich 
(Resende, 09/05/2023)