domingo, 19 de junho de 2022

Não sou mais o que me alimentava

Não sou mais o que me alimentava.
A mente ordena, o corpo não responde
somente resmunga e se arrasta.
Água que falta, revolta que sobra,
o processo é lento, a temperatura alta,
passo mal na fila de espera pra vida.

Jenny Faulstich 
(Resende, 07/12/2022)

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Otária

Comprada com uma garrafa
Uma promessa descumprida
Um belo dia que desabafa
Ilusão otária daquela bebida.

Jenny Faulstich
(Resende, 12/06/2022)

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Passageira esquecida

Horas sozinha, ela foi esquecida!
Tetra paralisia, tristeza e agonia!
Chorei como se comigo fosse o acontecido 
Mesmo que eu só saiba por um pouco
Do que seja depender de ajuda e cadeira.

Jenny Faulstich 
(Resende, 07/06/2022)


Foto: Reprodução/Twitter Sonia Sodha

domingo, 5 de junho de 2022

Unilateral

Emendo os rolês porque não posso ter
o que muitos conseguem ao meu contorno,
enquanto só observo, desejo e escondo.
Confundo o fio de fato e o quebrado
da última paixão com impossível atual,
interesse unilateral, vácuo pressente
voltar ao zero e recomeço o ciclo natural.

Jenny Faulstich
(Resende, 05/06/2022)

terça-feira, 10 de maio de 2022

Amor imperfeito

Bad, fome, sede, decepção... 
Cantei o amor e ninguém me acudiu.
Deveria não ter esperado
o desejado socorro, boca a boca.
Cerro meus olhos novamente,
sozinha, meio desligada,
em lágrimas, afogada!

Jenny Faulstich
(Resende, 05/05/2022)

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Preterencial

Mesmo inteira nunca fui suficiente!
Meus desejos guardados há anos
aguarda o improvável:
alguém que me queira incompleta,
que me dispa e me vista,
que encare uma marca, ou duas...

Hoje gorda, amanhã talvez até desperte
um interesse, passageiro.
Estarei então mínima e flácida, 
não mais me despirei por completo,
mesmo que eu possa vir a me vestir sozinha,
espero me cobrir de dignidade
e guardarei as vontades para uma outra vida.

Jenny Faulstich
(Resende, 05/05/2022)

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Cada passo não é o mesmo passo

Em cada passo que eu dou,
eu sinto dor! 
Às vezes mais, às vezes menos,
muda só a intensidade.
Há quem diga haver privilégios,
para esses, desejo só uma semana
das mais brandas,
com as dores que me tomam há anos!

Eu já disse isso inclusive,
quando alegaram precisar
só por alguns minutinhos
do espaço para pessoas como eu,
pessoas com deficiência, PcD.

Cada passo não é o mesmo passo.
Cada passo não dá pra ser comparado.
Cada dor, seja qualquer estágio,
não pode, não deve, só padece
o corpo quebrado, cansado.

Jenny Faulstich
(Resende, 01/05/2022)

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Obrigada por isso

O abraço mais sincero da noite
Meu coração colado no teu
Em silêncio eu disse que te amava
Eu acho q você entendeu
Obrigada por isso e por tudo
Por essa troca necessária
Ansiosa, até a próxima!

Jenny Faulstich 
(Resende, 20/03/2022)

Cicapari

Ela tão grande, tão única, tão minha,
Onde haveria tatuagem, há uma história!
Ele tão vermelho, gelado, bonito,
Como o amor, doce antes do amargor.


Jenny Faulstich - Foto Celular
(Resende, 18/04/2022)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

31 de dezembro de... quase 200 mortes em Resende

Penúltima noite do ano
e eu não fiz foto da Lua,
brilhante, cheia, acordada,
enquanto costuro inúmeras máscaras,
enquanto tem gente aglomerada na balada,
enquanto famílias recebem 
a notícia que ninguém deseja:
alguém não vai voltar pra casa.

Jenny Faulstich 
(Resende, 31/12/20)

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Live

Um violino que canta.
Uma poesia que grita.
Grita porque pode e precisa.

A vida espia, arrepia,
por uma tela de poucas polegadas,
com película e capa,
dessa live travada, encantada.

DoiZé, trio ou sozinho,
a arte continua
espremida nessas linhas
ora fofa, ora "Lobo",
ora "João de Barro" professor.

Gratidão pela luta, resistência, "algo maior".
Flores brotam em ventanias, enquanto tantos
fecham os olhos, coração e ouvidos,
outros inspiram os próximos dias.

Jenny Faulstich
(Resende, 11/11/2020)

sábado, 29 de agosto de 2020

Girassóis fantasmas

 

Girassóis guardam a lenda,
do castelo, uma fantasma observa,
a sombra do guerreiro que aparece em sonho,
pra quem tem a curiosidade desperta.

Jenny Faulstich
(El Coronil, 23/07/2018) 

sábado, 22 de agosto de 2020

Meu resumo de paz com o tempo

Um teto seguro, cobertores,
água limpa, comida,
filhos amigos, zuadores,
um gato de cada lado,
já posso morrer, de amores.

Jenny Faulstich 
(Resende, 21/08/2020)

domingo, 24 de maio de 2020

Quarentena eterna

Nunca mais tudo o que já vivemos será parecido.

As lembranças que temos, nunca mais serão parecidas. 

Os amigos não serão os mesmos, já não são.

Os costumes também não.

A decepção com atitudes alheias, imensurável.
O egoísmo gritante e horripilante, desnortea.
A vontade de fugir só aumenta.
Atualmente fugir se equipara a ficar em casa.
Fugir nunca foi tão digno!

Ficar isolado consigo mesmo.
Fugir do mundo e mergulhar no seu próprio.
Aceitar que toda a sociedade está doente.
Cansar-se demasiadamente de se preocupar
Com quem pouco está se lixando para os outros.

A quarentena está para o resto de muitas vidas.
Algumas que até já se foram...
O luto seletivo é um dejavu.
De tantas tragédias da humanidade,
A mais humilhante é não se importar.


Jenny Faulstich (Resende, 24/05/2020)

terça-feira, 14 de abril de 2020

#TBT de flor...



#TBT de flor,
de mato,
de cara lavada,
de Visconde de Mauá,
partiu fugir pra lá???

Jenny Faulstich
(Visconde de Mauá, 19/03/2020) foto celular

domingo, 12 de abril de 2020

"Florescer na dor"

Ilustração: Talita Abreu @talitaabreu.art
(Resende, 29/03/2020) 


A beleza e o horror de lidar com o desconhecido:
incerto, porém previsível,
temido e esperançoso,
também teimoso feito um idoso,
que não fica em casa
e quando fica, deprime!
Essa profunda tristeza desencanta.
Procurar o sentido de tudo
é um inútil desafio!
O mundo inteiro afetado
enquanto eu brigo, choro, durmo ou sorrio
assistindo tamanha dor que germina,
prolifera e também extermina feito pragas,
certo tipo de vida que escancara
ganância, vaidade e egoísmo.

Jenny Faulstich
(Resende, 30/03/2020)

sexta-feira, 10 de abril de 2020

4:46

Não consigo dormir!
Fecho os olhos e fico impressionada
com a imagem do cadáver
do filme da madrugada,
ficção e uma apocalíptica realidade.
Começo a lembrar de outros filmes,
repito orações pedindo um sono suficiente.
Ouço bater o portão,
uma criatura indo buscar o fim lá fora.
O toque de recolher da porta pra dentro
não faz quarentena do pensamento,
uma loucura instaurada,
massivamente, sem hora marcada.

Jenny Faulstich
(Resende, 02/04/2020)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Foi-se




O espelho aponta defeito e até aumenta
e de tanto observar detalhe,
o amassado da cortina incomoda.
O cansaço pede água e um amparo,
o gato escolhe seu lugar na cama,
arrumo tudo que eu preciso e deito,
bem mais tarde do que deveria.
Espero que o filtro de sonhos funcione,
tanto de noite quanto de dia.
O que era pra ser esse poema 
não importa mais, foi-se.

Jenny Faulstich 
(Resende, 09/04/2020) foto celular