segunda-feira, 20 de junho de 2022
Percurso
Um osso, um sono,
um sopro, um passo,
depois outro, devagar,
bem devagar, a vagar,
desesperada, tão esperada,
já decapitada, substituída.
Primeira parte biônica,
primeira fase, parece um prêmio,
quase sem acreditar,
tantos anos, tantas dores, tanto trabalho,
tanta vontade de caminhar de novo,
trilhar de novo, viver de novo, ou quase!
Jenny Faulstich
(Resende, 23/11/2021)
Gato de salto alto
Gato de salto alto
Brincando com sotaque francês
Gatô de salto altô!
Bulling com o pobre bichano
deformado numa patinha
marcando o ritmo do caminhar
como se estivesse de sandalinha.
Jenny Faulstich
(Resende, 12/04/2020)
Adele
Ela me ataca, me agarra, me arranha,
não me deixa sair da cama!
Pede colo, mia, escala, brinca,
enrosca na roupa, na corda, na fronha.
Gata preta bruxa garota,
depois dorme gostosa,
suspira leve, linda estilosa
e ressurgir ranzinza, quieta, falsa indefesa.
Jenny Faulstich
(Resende, 24/11/2021)
Horta suspensa
O alecrim virou lenda, mas
a pimenta se mantém acordada!
Hortelã comemora dias seguidos de divina lágrima.
O cheiro que sobe antes da mordida é da Cidreira.
Todas suspensas, moradores ansiosos
e agricultora temerária, distraída e lenta!
Jenny Faulstich
(Resende, 01/01/2022)
Poço do céu
Cinzas nas águas em que focam minha mente
Oxum me guarda nessa escalada para o céu
Poço bondoso, lindo, esperançoso
Onde um dia minha pauta guiaria
Receberá solene minha paz eternidade.
Jenny Faulstich
(Rio de Janeiro, 20/06/2022)
Futuraria
Me vejo no espelho do pretérito
Derretida, flácida, passada
Um futuro tão perto
Um presente advérbio.
Jenny Faulstich
(Rio de Janeiro, 20/06/2022)
domingo, 19 de junho de 2022
Já morri de tanto jeito
Eu já morri de tanto jeito.
Eu durmo e sonho tudo de novo.
Tumor, acidente, pandemia,
de amor, tristeza e histeria.
Piadas, filmes e versos ruins
arrebentam ou emendam o fio da meada.
De calor, suor em gotas, abafada,
despertador do vizinho na madrugada.
Lembrança aleatória de lugares, pessoas,
timidez de travar, urinar, desmaiar,
tragédias, ideias, correntes e gafes.
Já morri de vergonha, caminhada e olhares.
Criei monstros desaforos, nóias, expectativas,
derrocadas com prévia certeza regra,
desde amizades com o sexo oposto.
Já morri humilhada, com solidão e desgosto.
Jenny Faulstich
(Resende, 09/09/2020)
Combinada chance
Um dia inteiro trabalhada no ciúme,
até refletir que também sentia inveja.
Inveja daquela que por ele foi beijada,
que é sempre por todos desejada.
E eu só queria uma chance,
uma já combinada chance,
que se perdeu na madrugada.
Jenny Faulstich
(Resende, 14/06/2022)
"Se organizar direitinho"
Não estou preparada de fato
pra mudança, pro amor, pra vida!
Eu que sempre estive atrasada,
desisto antes de tentar a conquista.
"Se organizar direitinho..."
não passa de uma utopia!
Jenny Faulstich
(Rio de Janeiro, 19/06/2022)
Neblina
A neblina vem como uma saudade.
Me cega, me congela, me entristece.
Imagino prazeres nos detalhes,
me iludindo num toque além realidade.
Jenny Faulstich
(Resende, 18/05/2022)
Bisturi
Voltar pra mim
Dias assim
Menos comprimidos
Destruindo meus rins.
Arte de encontros
Não acontece pra mim
Fatia, instala, encaixa,
Espera sem fim.
Jenny Faulstich
(Resende, 28/12/2021)
Não sou mais o que me alimentava
Não sou mais o que me alimentava.
A mente ordena, o corpo não responde
somente resmunga e se arrasta.
Água que falta, revolta que sobra,
o processo é lento, a temperatura alta,
passo mal na fila de espera pra vida.
Jenny Faulstich
(Resende, 07/12/2022)
segunda-feira, 13 de junho de 2022
Otária
Comprada com uma garrafa
Uma promessa descumprida
Um belo dia que desabafa
Ilusão otária daquela bebida.
Jenny Faulstich
(Resende, 12/06/2022)
quarta-feira, 8 de junho de 2022
Passageira esquecida
Horas sozinha, ela foi esquecida!
Tetra paralisia, tristeza e agonia!
Chorei como se comigo fosse o acontecido
Mesmo que eu só saiba por um pouco
Do que seja depender de ajuda e cadeira.
Jenny Faulstich
(Resende, 07/06/2022)
Foto: Reprodução/Twitter Sonia Sodha
domingo, 5 de junho de 2022
Unilateral
Emendo os rolês porque não posso ter
o que muitos conseguem ao meu contorno,
enquanto só observo, desejo e escondo.
Confundo o fio de fato e o quebrado
da última paixão com impossível atual,
interesse unilateral, vácuo pressente
voltar ao zero e recomeço o ciclo natural.
Jenny Faulstich
(Resende, 05/06/2022)
terça-feira, 10 de maio de 2022
Amor imperfeito
Bad, fome, sede, decepção...
Cantei o amor e ninguém me acudiu.
Deveria não ter esperado
o desejado socorro, boca a boca.
Cerro meus olhos novamente,
sozinha, meio desligada,
em lágrimas, afogada!
Jenny Faulstich
(Resende, 05/05/2022)
quinta-feira, 5 de maio de 2022
Preterencial
Mesmo inteira nunca fui suficiente!
Meus desejos guardados há anos
aguarda o improvável:
alguém que me queira incompleta,
que me dispa e me vista,
que encare uma marca, ou duas...
Hoje gorda, amanhã talvez até desperte
um interesse, passageiro.
Estarei então mínima e flácida,
não mais me despirei por completo,
mesmo que eu possa vir a me vestir sozinha,
espero me cobrir de dignidade
e guardarei as vontades para uma outra vida.
Jenny Faulstich
(Resende, 05/05/2022)
segunda-feira, 2 de maio de 2022
Cada passo não é o mesmo passo
Em cada passo que eu dou,
eu sinto dor!
Às vezes mais, às vezes menos,
muda só a intensidade.
Há quem diga haver privilégios,
para esses, desejo só uma semana
das mais brandas,
com as dores que me tomam há anos!
Eu já disse isso inclusive,
quando alegaram precisar
só por alguns minutinhos
do espaço para pessoas como eu,
pessoas com deficiência, PcD.
Cada passo não é o mesmo passo.
Cada passo não dá pra ser comparado.
Cada dor, seja qualquer estágio,
não pode, não deve, só padece
o corpo quebrado, cansado.
Jenny Faulstich
(Resende, 01/05/2022)
segunda-feira, 18 de abril de 2022
Obrigada por isso
O abraço mais sincero da noite
Meu coração colado no teu
Em silêncio eu disse que te amava
Eu acho q você entendeu
Obrigada por isso e por tudo
Por essa troca necessária
Ansiosa, até a próxima!
Jenny Faulstich
(Resende, 20/03/2022)
Cicapari
Ela tão grande, tão única, tão minha,
Onde haveria tatuagem, há uma história!
Ele tão vermelho, gelado, bonito,
Como o amor, doce antes do amargor.
Jenny Faulstich - Foto Celular
(Resende, 18/04/2022)
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
31 de dezembro de... quase 200 mortes em Resende
Penúltima noite do ano
e eu não fiz foto da Lua,
brilhante, cheia, acordada,
enquanto costuro inúmeras máscaras,
enquanto tem gente aglomerada na balada,
enquanto famílias recebem
a notícia que ninguém deseja:
alguém não vai voltar pra casa.
Jenny Faulstich
(Resende, 31/12/20)
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
sábado, 14 de novembro de 2020
quarta-feira, 11 de novembro de 2020
Live
Um violino que canta.
Uma poesia que grita.
Grita porque pode e precisa.
A vida espia, arrepia,
por uma tela de poucas polegadas,
com película e capa,
dessa live travada, encantada.
DoiZé, trio ou sozinho,
a arte continua
espremida nessas linhas
ora fofa, ora "Lobo",
ora "João de Barro" professor.
Gratidão pela luta, resistência, "algo maior".
Flores brotam em ventanias, enquanto tantos
fecham os olhos, coração e ouvidos,
outros inspiram os próximos dias.
Jenny Faulstich
(Resende, 11/11/2020)
sábado, 29 de agosto de 2020
Girassóis fantasmas
Girassóis guardam a lenda,
do castelo, uma fantasma observa,
a sombra do guerreiro que aparece em sonho,
pra quem tem a curiosidade desperta.
Jenny Faulstich
(El Coronil, 23/07/2018)
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
terça-feira, 25 de agosto de 2020
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
sábado, 22 de agosto de 2020
Meu resumo de paz com o tempo
Um teto seguro, cobertores,
água limpa, comida,
filhos amigos, zuadores,
um gato de cada lado,
já posso morrer, de amores.
Jenny Faulstich
(Resende, 21/08/2020)
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