terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Só havia

Só havia ele
e ele sabia!
Sabia o poder que tinha.
Curtia quando eu lhe dava a importância 
que eu achava que ele merecia.
Eu esperei, esperei até que me mexi,
tropecei na minha expectativa,
me esborrachei, me quebrei inteira.
E pra quem só via ele pela frente,
de repente tantas mãos, tanta dessintonia,
fosse noite, madrugada, dia,
até o resgate, uma eternidade.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/02/2023)

Hoje não teve beijo de boa noite

Hoje não teve beijo de boa noite 
Aos poucos as mensagens deixam de chegar
A memória retoma a história 
De que ninguém vai me amar
Talvez porque eu dance esquisito
E porque eu manco, dependo e aparento
Não calce sozinha meu sapato
Não me calo, ou sumo, desapareço
Crio expectativa num alento
Me compadeço no combo conexão e apreço
Volto a chorar sozinha, sem adereço
Ritmada, desmotivada, sempre rejeitada.

Jenny Faulstich 
(Resende, 07/02/2023)

Sabe-se lá

Estaciono em frente ao lar
Não sei se quero entrar
Mas também não vou mais sair
Sem ter algum lugar pra ir
Sem ter alguém pra me encontrar 
Com tanta coisa pra pensar
Juntos, longe, inexistente
Sabe-se lá mais do que sou carente
Um afago apenas eu queria
Na alma, corpo, só uma companhia.


Jenny Faulstich 
(Resende, 12/02/2023)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

"Noite sem fim"

Se tem algo na vida que temo é ser injusta
e o trauma brota como reação,
não só memória consciente ou não.
Me machucaram uma vez, duas, três,
eu vou tentar me defender constantemente.
Mesmo assim, uma hora a guarda baixa
e vem uma porrada do nada que assusta!
Desabei de novo.
Me derrubaram de novo.
Distraí sem pedir socorro!
Choro, sussuro, não perdoo,
sob os escombros de fatos e estorvos
cerro a noite com lágrimas e gliter fosco.

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/02/2023)

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Parasitada

O ciclo
A praga
A ressaca
A energia sugada
Suada
Parasitada
Enfraquecida
Machucada
Ferida infeccionada
Sangue digerido
Desgosto eufórico
Retórico
Onipresente
Não entenda
Nem tente
Sair da vala
Novamente.

Jenny Faulstich 
(Resende, 24/01/2023)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Folião

Dia de Reis!
Dia de gratidão!
Dia da Gratidão!
Folia da vida
poder contar com a sua
que presenteia
supre e permeia
a visão de mundo,
carinho e felicidade!

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/01/2023)
*Ao amigo Renatinho

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Posse

Amora agora com gelo e cachaça 
Só segure, não dê o segundo gole
De porre já basta a vida
E que o amor não me demore.

Jenny Faulstich 
(Resende, 03/01/2023)

Preciso me arrumar

Preciso arrumar meu quarto e minha mente
Botar a cara inchada de chorar no sol
Organizar a vida em linhas e gavetas
E cuidar do coração que está num nó.
Desapegar de tudo que não me apega
O que não mais me serve vai pro brechó
Ou para o lixo, sem dó.

Jenny Faulstich
(Resende, 23/11/2022)

Moribunda

Hoje a dor na alma é tanta
que meu corpo nem grita.
A lança que causou a ferida
descansa imponente e feliz.
Transferiu o tempo e a culpa
a moribunda que outrora serviu.
Ainda há de sentir a falta.
Ainda há de sentir o mesmo.
Ainda há de sentir pelo menos
arrependimento.

Jenny Faulstich 
(Resende, 23/11/2022)

Como seria?

Saí um pouco do mundo real
Pra poder imaginar como seria 
Se o seu sorriso fosse pra mim
Tão quanto seu olhar, seu pensar
E se você sentisse o mesmo que eu
Como seria poder lhe enviar
Certas linhas bregas de um amor
Que eu sei que não vai acontecer,
Mas bem queria e nem ouso mais esconder
Sem tempo e mobilidade pra isso viver.

Jenny Faulstich 
(Resende, 29/08/2022)

sábado, 31 de dezembro de 2022

Final uni infeliz

Toma seu café enquanto distante não tomo o meu
O que poderia ser nosso, sempre foi oposto
Fugiu enquanto pôde, jogador medroso
Cômodo não ser leal ou franco 
E preferir todo padrão afoito.
Nada diferente sob esse mesmo céu estranho!
Acerto dizer que saudade virá em algum momento.
Talvez naquele em que só a gente se lembre
Das risadas e todo aquele seu blefe
Um falso carinho a parte, bem frequente.
A saudade virá em algum momento 
Minha praga de bruxa, meu envenenamento
Enquanto só eu adoeço e você segue vivendo.

Jenny Faulstich 
(Resende, 23/11/2022)

Ponte sem ponto

Às vezes sou eu quem precisa ser resgatada
Cansada de ser somente a ponte
Quero ser a correnteza e poder fluir
Ser admirada pelo que não aparento
Não pela dificuldade de sentir.
Eu sinto, e muito, e choro, e digo
Sobre o vazio sem fundo
à beira do meu íntimo mundo
De respeito seletivo e questionável
Na função de unir dois pontos
Desde que não seja eu
qualquer um dos pontos.

Jenny Faulstich
(Resende, 23/11/2022)

Último sussuro do ano

Ao último dia do ano que chora sussurante,
me identifico, na temperatura e intensidade
instável, duvidosa, angustiante...
Fui salva na prorrogação
quando já havia entregue os pontos
e ainda me sinto perdedora.
Algumas poucas pazes podem esperar
embora o tempo é que não aguarda
e quando vemos, acabou
o dia, o ano, o carinho,
qualquer chance de dar certo.

Jenny Faulstich 
(Resende, 31/12/2022)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Entidade

Esqueci que eu sou eu
e por momento achei que pudesse
brincar de viver sem me machucar.
"Ah não, Jenny", me colocou em meu lugar
de indesejável, sem graça, indelicada,
entidade de carne e osso,
falhas e vontades canalhas,
distante constante de certos afetos,
sempre a opção última ou nenhuma!

Jenny Faulstich 
Resende, 19/12/2022)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

"O som das asas dela"

Pensar em vc me dói...
A dúvida corrói 
quando a verdade se atrasa.
Aquela vibe boa, esquece!
Suma à vontade
que eu sigo, sobrevivo...
Vou chorar litros,
mas passa, sempre passa!

Jenny Faulstich 
(Resende, 21/10/2022)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Bom dia

Fiz versos pra ti, meu lindo!
Pra te ver sorrindo, querido!
Quer ver a paisagem
ou me ouvir pedindo?
Sua atenção, sua boca
que já faz saudades
seja em rima, energia,
Muito bom dia!...

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/12/2022)

A moele

Duas vezes você
E só eu vou entender
Três vezes amanhecer
Quase quatro recordando
Te ouvindo, te vendo
Passando a mão no seu cabelo
Seus olhinhos, tão pretinhos
Pra mim se revelando
Esclarecendo, acalmando,
Reconectando, beijando
Gratidão por tudo
Maravilhoso, Ma...

Jenny Faulstich 
(Resende, 13/12/2022)

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Rancorosa

Se eu sou rancorosa?
Sou poeta!
Eternizo em linhas
Todo mal que me fizeste
De mim receberás somente versos
Com votos de infelicidade 
Direcionados só pra ti
Para que sintas o mesmo que eu
Somente por saber como é 
Frustrar-se com o inesperado.

Jenny Faulstich 
(Resende, 05/11/2022)

O feriado

O feriado passou e eu me vi sozinha de novo.
Enquanto todos dançam ao meu redor
eu tento escalar meu poço com as unhas 
e respirar um pouco de um novo ar.
Eu insisto até sentir o mesmo do mais,
mesmos sentimentos em outros tempos.
Sozinha de novo, em todo momento.

Jenny Faulstich 
(Resende, 20/11/2022)

"Fique bem"

A mulher é sempre a louca!
Sempre quem confundiu.
Reprimida, shipada, até infantil.
O egoísta esmaga tudo que já se sentiu.
Cobra laços de uma amizade que inexistiu.
Se só um lado é claro, o outro é sombrio.
Corta todo carinho feito uma tesoura,
ignora ou rechaça, finge que nunca viu.

Jenny Faulstich 
(Resende, 22/11/2022)

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Idiota

Achei que fosse pelo menos um amigo
Se afastou, me preocupou, me enganou
Fez-se de ocupado, filho dedicado
Jogou baixo, me jogou pra baixo
Continuo aqui onde você me deixou
Numa vala fria, escura e ignorada
Mesmo que finja que não me afetou
Descartada sem resposta, aviso ou consideração
Do nada nas costas uma apunhalada
Atravessou uma alma disposta
Que agora se arrasta deposta
Pela enézima vez, 
Idiota!

Jenny Faulstich 
(Resende, 02/11/2022)

Amaldiçoada

Eu me pergunto sempre o por quê!
Reflito até o espelho responder:
Ninguém vai amar essa aberração.
Não importa a história, a atenção,
Ninguém vai amar essa aberração.

Jenny Faulstich 
(Resende, 02/11/2022)

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Necromante

Morta saio da sua vida
sem sequer ter entrado
já que pra mim não houve espaço.
Sou feia, gorda, pobre, deficiente,
mais do que tudo, sou idiota,
e serei sempre insuficiente.

Jenny Faulstich 
(Resende, 31/10/2022)

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Festival

Depois da euforia tem um precipício,
que atrai, aprisiona e maltrata!
O dedo vai direto na ferida aberta inflamada
e aprodrece com o que restou da festa.

Jenny Faulstich
(Resende, 20/09/2022)

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Ansiedade grotesca

Madrugada afora a ansiedade não me larga
Puxo mais uma coberta na falta do seu abraço 
O barulho da chuva ameniza minha angústia 
Vamos ver o quanto a ausência me assombra
Ansiedade grotesca diante de tanta incerteza
Entre dor, medo e rancor, adormeço mas não esqueço.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/09/2022)

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Assuntos listados

Assuntos listados
Carinhos trocados
Em seguida o frio...

Confusa prossigo
De novo me humilho
Recebo um tópico vazio...

Jenny Faulstich 
(Resende, 12/09/2022)

Quero esquecer sem remorso

Quero esquecer de você sem remorso
Mas cada elogio me soa uma oportunidade
Uma singela chance de que possa sentir o mesmo
e de que eu não precise me esquecer de tantos planos traçados.

Jenny Faulstich 
(Resende, 04/09/2022)

domingo, 4 de setembro de 2022

Sorrir e seguir

Sombras de um futuro insurgente
Traz-me as lágrimas assim que isolada
Toda opção torna-se nenhuma
Porque não sou vista como uma
Só me resta então sorrir e seguir
Como se não fosse tão solitária.

Jenny Faulstich 
(Resende, 04/09/2022)

sábado, 27 de agosto de 2022

Jogatina

Eu queria que você a visse
toda faceira, linda, agarrada
num bofe tão maravilhoso quanto!
Ela iluminada, feliz, acompanhada,
eu amorosa sempre disponível,
mas só pra ela você tinha olhos,
teve vontade, teve coragem.
Sigo sozinha, meio arrependida
de criar tanta expectativa,
de falar o que eu sentia,
de colecionar tantas feridas.

Jenny Faulstich 
(Resende, 27/08/2022)

domingo, 31 de julho de 2022

Acostumada

Estou acostumada
a não ser vista como mulher.
Não significa que não doa
no fundo mais vulnerável da alma.
Pode até parecer que não, 
já que o sorriso sempre esconde
a vista boba da corte e mais nada.
Há uma mulher além das piadas.
Há uma mulher além dos corres.
Há uma mulher além das muletas.
Há uma mulher de desejos e sentimentos
não correspondidos, ignorados, subjugados!

Jenny Faulstich 
(Resende, 30/07/2022)