quinta-feira, 22 de junho de 2023

Cheiro

Há dias que não lhe vejo,
mas parece que ainda sinto o cheiro.
Cheiro que me remete ao prazer
que eu sempre tenho com você.
Um ritual de carinho e desejo:
beijo, bebida, lambida, encaixe
e o cheiro.

Jenny Faulstich 
(Resende, 22/06/2023)

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Found miner

Você pode me falar o que você quiser,
e eu posso também me imaginar
vivendo um looping do que já passamos
porque eu fecho os olhos e arrepio
lembrando de como você se achega
me chama para aquele cantinho
mais gostoso da cama,
decidido e com a delicadeza
de me fazer gozar e me abraçar,
de fazer o violão cantar pra mim
e rirmos muito por você
entrar sempre na rua errada 
pra chegar na "nossa casa"...

Jenny Faulstich 
(Resende, 12/06/2023)

terça-feira, 23 de maio de 2023

Bingo cinza

Tenho perdido tanto...
Tenho me perdido tanto...
Sei que nada será como antes
tanto o que foi bom quanto o que foi ruim.
Está passando essa nuvem sobre mim,
já a avisto na paisagem ao longe
trazendo de volta a Imperatriz
que sente, fala e chora,
que senta, escuta e volta
da tal fucking verdade cinza no limbo
direto para os braços dos que me aguardam
os sorrisos sinceros de quem nem esperava
fazendo de tudo perdido
onde eu mais ganhava!

Jenny Faulstich 
(Resende, 16/05/2023)

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Super

Perguntei o que estava olhando,
me disse estar apenas admirando...
Dividimos da mesma fome
e trocados foram risos, reflexões e afagos...
Desejo e carinho se complementaram
desafiando o acaso, a pressão e a certeza
encontrando nosso próprio tempo,
sendo devidamente cuidada, respeitada,
espontaneamente bem tratada...
Soube que seria assim
antes mesmo de tirar os seus óculos
e quando fechou então os olhos
as palavras cessaram temporariamente
para que eu pudesse bem depois dizer:
que prazer está sendo te conhecer!

Jenny Faulstich
(Resende, 15/05/2023)

terça-feira, 9 de maio de 2023

Grampos, muitos grampos...

Naquela noite deu tudo errado!
Tinha tudo pra dar certo e deu merda!
Incompetência e/ou muita mágoa acumulada?
Eu estava linda, eu sei que estava!
A alegria durou pouco, durou até o afronto.
Vim embora antes do meu tempo,
dependente, triste, toda borrada! 

O rabisco afetuoso não saiu do papel.
Tudo ganhado foi perdido, desperdiçado.
Cada grampo pesava uma palavra de desprezo
que não me deixava mais leve conforme eu retirava
já que o desprezo me veio em ato pensado
cuja presença desafia meu orgulho abalado,
me traz de volta tudo que eu achava ter superado
de outro desprezo há tempo já passado.

Remachucada... 
Parabéns a quem se tornou mais um gatilho!
Vai passar, eu sei, 
como esse sangue que a água leva agora,
como essa lágrima que desce e seca,
como esse dia lindo lá fora
enquanto a tempestade aqui dentro desaba.
Nenhuma novidade, mesmos nomes,
decepções semelhantes, porém diferentes,
mas sempre esquecida e humilhada
após devidamente utilizada.

Jenny Faulstich 
(Resende, 07/05/2023)

domingo, 7 de maio de 2023

Desleal

Todos dizem saber o que eu devo fazer,
eu também sei o que devo fazer
pra sair dessa vala em que me empurraram.
Só busco ainda o sentido e um motivo
que não seja tão vago quanto foi certo convívio,
quando algo me foi prometido, foi descumprido
e agora todo tempo construído foi descartado
por uma nova buc... conquista,
novas companhias, a minha não servia,
me restou insídia e indiferença.
A amizade dita valiosa foi jogada fora
por quem disse que não queria que se perdesse,
e foi somente uma peça de algo maior,
uma engrenagem torta, maldita e cínica
de um passado agora desenterrado
feito um zombie(cide) fétido sedento
pelo caos, destruição, depressão,
infelicidade parcial, direcionada e intencional.

Jenny Faulstich
(Resende, 01/05/2023)

segunda-feira, 1 de maio de 2023

Cabral

Cabeça está a milhão 
e o coração não acompanha não!
É muita coisa ao mesmo tempo,
alguns que partem
enquanto comemoramos anos, conquistas...
Me vem uma pressa, um desespero,
quem mais não estará aqui amanhã?
Será que eu estarei aqui amanhã?
Como o que eu deixei de tentar vai me afetar?
Logo, tento, o não eu já tenho!
Reforço todo sentimento 
independente das críticas
já que só eu sei o que se passa aqui dentro.
Se hoje sou intensa, sou abobada e besta,
é porque eu sei que tem gente viva e não vive
e pelos que já partiram
quero fazer a valer as minhas chances.

Jenny Faulstich 
(Resende, 09/03/2023)
* Para a amiga Cíntia.
Descanse em paz.

domingo, 30 de abril de 2023

Hoje eu vou sair

Hoje eu vou sair pra dançar 
Vou sair desse buraco
Onde me nego a ficar
Abrirei minhas asas, minha saia
Hoje eu quero me abraçar 
Retomar meu projeto: borboletear.

Jenny Faulstich 
(Resende, 29/04/2023)

Hoje a dor está diferente

Hoje a dor está diferente,
Está cansada de doer.

Jenny Faulstich
(Resende, 16/08/2021)

sábado, 29 de abril de 2023

Alma de artista

Tem quem se esqueça da arte da vida na vida
Quem é artista deveria saber que muito se sente
Conectar-se somente com razão
Pode corromper laços genuínos
Coisas sem explicação
Justamente porque só se... sente.
E por sentir me julgaram incoerente 
Que dó eu tenho dessa gente 
Infeliz e incapaz de aceitar
Que não se escolhe o que sente
Não escolhe o quê e quem considerar 
Do nada ou por mágoa faz afrontar 
Tirar do prumo uma nítida alegria
Pura maldade de fracassados
Que cansei de ter empatia.
Ruminei dias uma aberta ferida
Pra ressurgir ainda mais bela
No meu exercício interrompido 
Que só quem se importa sabe e sente
Vai verdadeiramente identificar.
Acalmo agora meu coração 
Focando só no recomeço do vôo
Soltando-me das amarradas tentadas
Com conhecimento das que já tinha
A arte de sentir é da alma,
E a minha é linda!

Jenny Faulstich 
(Resende, 29/04/2023)

Só quero dormir...

Só quero dormir
Pra sempre
Na minha mente 
Só um miolo de flor que não brotou
Uma criança em mim morreu
Definho e quando pensam num motivo
É outro, muito além do próprio torpor
Meu xarope acabou 
O antidepressivo dobrou
Aguardo ansiosa uma próxima sessão 
Queria mesmo era um pé encostando
Mas não quer nem saber como estou
Se sim ou não conscientemente 
Eu sei o que tenho que fazer
Mas não tenho mínimo ânimo 
Nem pra comer, nem pro banho
Pra onde correr se nem me levanto?
Escolhido foi não se importar
Se eu partisse hoje não iria faltar.
Sou fruto de um terror 
Precisando se acalmar
De um abandono maldoso
Me perfurou só pra se mostrar 
Um troféu, um corpo novo,
Já que o meu é um sufoco
Da qual quiseram se livrar 
Ainda consigo ouvir o deboche
De uma foto feita pra machucar
Missão cumprida, soldada abatida
De uma guerra que eu nunca quis lutar.

Jenny Faulstich 
(Resende, 27/04/2023)

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Greta oro

Vibrou! Vibrou em mim!
O arrepio veio do amor!
Uma esperança renovada
No futuro que importa
Não na utopia desejada.

Jenny Faulstich
(Resende, 19/04/2023)

Corpo celeste

As três pintinhas, uma constelação.
Galáxia de sóis misteriosos, 
de pó, rocha, empolgação e história.
Observar de perto é lindo,
mas só saber da existência ao longe
é mais sensato, mais seguro e nem importa.

Jenny Faulstich
(Resende, 27/03/2023)

Desafiante

Deixa eu segurar sua mão 
e te levar pra ver um outro mundo
além das barreiras da razão.
Nem pelos meus olhos, 
mas pelos seus próprios 
lindos, desafiantes, revigorosos.
A gente se inspira e cura junto
numa proposta inusitada.
Com medo mesmo e fé na estrada
porque seu riso solto e largo é sol,
seu abraço é remédio trocado
e veja só, 
o risco de felicidade que corremos.

Jenny Faulstich 
(Resende, 02/03/2023)

Campanha

Antes da sua negativa, avalie, 
veja se disso tudo algo conta a favor:
- Sou boa ouvinte, curto as nossas conversas;
- Gosto de cozinhar, modestamente uns rangos maneiros;
- Gente legal tem gatos e eu tenho quatro,
se tem um bicho que nos ensina a amar sem cobrar, desconheço;
- Dirijo meu golzinho velhinho e Valente, capenga e destemido tão quanto eu;
- Sou progressista, de esquerda mesmo, mente aberta, nem tão militante e confio na ciência;
- Sou da arte, artista, arteira, fotógrafa, ecochata, partiu natureza;
- Sou fã OTM, só para os raros, não sou uma Mariana, mas "me faça rir, me faça feliz";
- Amo declaradamente abraços e o seu encaixa e conforta como poucos;
- Isso me lembrou um certo abraço, de pernas, que gostaria de novo;
- Falando nisso, sexo sem frecuras lhe anima alguma coisa?
- A massagem você quer antes ou após o rolê?
- E se você disser não, é não, ou se disser pare, eu te levo pra casa assim que você quiser;
- E principalmente, eu faço café, cafuné, sucesso, terapia e poesia.
Tente me convencer de que não valho a lida,
seja medo, vergonha, 
qualquer que seja a paranóia, 
de ser eu quem sou, mas
numa embalagem não satisfatória.

Jenny Faulstich 
(Resende, 04/03/2023)

Segunda

Quando se vai mal, mais mal não seria novidade,
mas se vai bem, por quê ser um colaborador
de uma avalanche gelada e destrutiva?
Sem a desculpa de ter sido "sem querer",
me agrava a luta pra sair da deprê,
induzida, comparada, maldita desnecessária!
Testar meu "tanto faz" pode ser desonesto,
uma jogada fora das regras do campo 
onde deitamos e rolamos e gostamos.
Sou rancorosa, amarga e arremetida
sofro sempre sozinha antes da volta por cima.

Jenny Faulstich 
(Resende, 21/04/2023)

23:48

Segurei enquanto pude
Mas no fundo eu sabia
Que uma hora aconteceria 
De novamente molhar meu rosto
E apertar o meu travesseiro.
Eu sabia que a graça eu logo perderia
Só não esperava que fosse assim, tão cedo
Ao ponto de me faltar com mínimo respeito.
Enjoou de mim, não me precisa mais
Desprezou, recusou minha presença
E se revelou o mesmo do mais,
confortável, insensível, básico, 
manipulador, egoísta, esquerdo macho.

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/04/2023)

Risco previsto

O encanto já minava aos poucos
Hoje só sinto fome, sono e cansaço
Do imediatismo egoísta 
E da incompreensão e descaso
Fatores excepcionais 
E alguns já previstos
Assumi em parte o risco
Contei com uma lealdade prometida 
E morri na praia, sozinha.

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/04/2023)

Ma... mais um

Quando passa o primeiro encanto,
noto mais um pra esquecer.
Egocentrismo, burocracia boba,
joguinho de provocar ciúme 
enquanto eu só esperava pra ter
alento, amizade, compreensão e força,
momento de fraqueza que chega a doer.
A nostalgia outrora serena se esvai,
no lugar brota uma fúria impura
temporária, feroz e auto destrutiva.
Choro, durmo, deprimo, assumo,
o erro de esperar o não dito
e o dito corrigivel como prova de pensar.
Passam os dias, passa parte da raiva tida
Ma, mas não passa a decepção, o abandono, 
o carma, a desgraça e o novamente recebido foda-se.

Jenny Faulstich
(Resende, 16/04/2023)

O resto

Sempre a sobra 
do prato, só a borda,
servida durante o tédio
enquanto a fome é morna.

Jenny Faulstich 
(Resende, 28/04/2023)

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Pedido ignorado

Aquela vontade que tenho de fitar
envolver, provocar, incentivar,
mingua, desmancha, se esvazia, vai embora.
Um pedido, uma maldade, um gatilho,
um sentimento ruim repetido,
desanda o dia, desanda o vivido,
por uma empolgação de futuro,
apenas uma, uma só que me machuca.
Eu aqui tentando muito não chorar 
me convencendo de que não tem porquê,
mas seja lá qual a intenção, está doendo,
ferida grosseira de uma arma perfeita,
afiada, certeira, venenosa, desgraçada,
que atinge minha alma já sangrada,
aflinge e maltrata minha memória manchada,
me sinto triste e desrespeitada,
logo, logo, logo me jogam fora.

Jenny Faulstich 
(Resende, 27/03/2023)

Juventude

Não sou vampira, não sou lenda
Não quero do seu sangue, seu corpo
Não quero roubar sua juventude 
A vida pode ser curta, não se sabe
Quero apenas algo que importe
De comum acordo, recíproco e gostoso
Pode ser um carinho lento
Um colo, uma conversa, 
Uma tarde de soneca
Atrair com bondade e desejo
Uma relação aberta a cores
Leveza e lampejos
De troca, sem julgamentos.

Jenny Faulstich 
(Resende, 13/03/2023)

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Remédios, sono e destempérios

Revezo entre remédios, sono e destempérios
Mistura de dor com preguiça e sufoco
Fecho os olhos pra dormir e falho
Na mente só coisas que eu não quero escutar
Só quero dormir, esquecer tudo por agora
Esquecer tudo que senti, ainda sinto,
E caçoam e falam de mim por isso,
De coisas que eu nem sequer disse.
Sei que deveria nem ligar, considerar.
Tentando sair da teoria pra prática 
Um toque de patas veio sem chamar,
Me atento a acalmar as vozes de tanto pensar
Ignoram consequências psicológicas
De quem ainda se trata de outros fatores
Não conhecem nada, não faço falta
Se eu morresse hoje, seria um alívio
Pra quem não concorda, não faz parte
da imperfeição que sou agora.

Jenny Faulstich 
(Resende, 26/04/2023)

Data "não" especial

Nessa data "não" especial
Um detalhe ou dois não mais importam
Percebe-se que a necessidade 
Não é mais aquela, perde-se
O que achava ser admiração 
Não era tão essencial assim.

Jenny Faulstich 
(Resende, 13/03/2023)

Baile que segue

Ora me vejo vazia,
Ora transbordo horrores
De noites temidas
Outras de risos maiores.
Me toco como nunca antes
E descubro um universo
De possibilidades, almas
Novos rancores...
Baile que segue,
Eu danço, curto,
Choro um absurdo!

Com conhecimento de causa
Eu sinto, vivo, transmito
Que seja a troca mútua
E a derrota justa.

Jenny Faulstich 
(Resende, 13/04/2023)

"Let it be"

Dias bons vêm,
Dias ruins também
Eu me emociono por pouco
Talvez não tão pouco assim
Simplesmente muito pra mim...

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/04/2023)

Fraude

De volta ao fundo do poço 
De onde eu nunca deveria ter saído
A bolinha tava alta demais
Precisava algo pra me trazer de volta
Me tirar do lugar de pessoa especial
Pois eu sou apenas mais uma sem sal
Uma fraude, um balde cheio de ego
Nada a mais.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/04/2023)

Saudade trocada

Queria eu ser digna de ser desejada
Alguém que quisesse ao menos
Sentir a minha boca e temperamentos
Saber da minha existência 
E cogitar uma saudade trocada.

Jenny Faulstich 
(Resende, 27/08/2022)

Última pessoa, penúltima vez

A última pessoa com quem quero falar
Nunca fez questão de me considerar
Nem sequer se recorda que eu existo.

O pensamento é sozinho 
A mágoa, unilateral
E a ressaca, moral.

Jenny Faulstich 
(Resende, 11/11/2022)

Quem quer dá um jeito

Quem quer dá um jeito!
Não sou resto,
não sou vadia.

Não soube o que queria
ou sabia e aqui não era
o foco, só rebeldia.

Jenny Faulstich 
(Resende, 03/04/2023)