quinta-feira, 20 de abril de 2023

"Beijo ao vento"

Dias intensos
Do 8 ao 800
Do auge pra queda
É do fundo do poço que se recomeça!

Jenny Faulstich 
(Resende, 16/04/2023)

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Alugada

Queria poder esquecer tudo que me foi dito.
Senti na hora que eu deveria ter ouvido,
mesmo não concordando muitas vezes
me coloquei no lugar e me excedi,
excedi em absorver o que era de fora
e muito mal mesmo eu passei a me sentir.
O apoio que eu podia ter me deu as costas,
e assim eu vi, o filme todo de novo,
senti, sofri e chorei o dobro.
Foi pesado e poucos também se incomodaram.
A força pra variar veio de onde nem esperava,
depois de um tempo de cabeça alugada
com muita informação nova
muita mágoa botada pra fora.
E recebi tudo aberta demais,
sem filtro só ressurgiram minhas nóias.
E eu estava tão feliz, tão feliz, tão feliz!
Externei tanto isso dias antes,
mesmo tão cansada, atarefada.
Eu estava tão feliz, brilhante, inusitada,
como há muito tempo não ficava,
com a casa mais leve e mais arrumada.
Com um discurso de sermos todos adultos
tive minha intimidade debochada
e com uma carga que nem sequer havia,
eu decaí na minha lida, de dores mentais e físicas,
foi-se toda terapia de um ano pra trás,
de quando estive mais vulnerável e frágil,
de quando achei que não voltaria mais, 
de quando não fui correspondida
nem com carinho e amor de amiga.
Entendo que não sou, nunca fui prioridade,
mas a mão que me faltou,
faltou tão quanto sei que eu não sou
nem metade de tudo que foi dito, 
e eu no fundo, nem precisava ter ouvido.
Eu não precisava ruminar logo agora 
toda a sobra que sou de um nada.
Que nisso a gente concorda, eu nunca fui nada!

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/04/2023)

terça-feira, 18 de abril de 2023

Partida

Nem me despedi ainda e já estou chorando...
Queria tanto ter feito mais,
ter estado mais, ter abraçado mais.
A partida tem a hora marcada,
enquanto a mente tenta me avisar
de que a gente ainda vai se encontrar
de novo e de novo e de novo,
desse lado do oceano ou do outro!

Jenny Faulstich 
(Resende, 18/04/2023)

sábado, 15 de abril de 2023

Auto discurso

Eu quero pedir desculpas!
Eu quero? Não! Eu preciso.
Desculpas pra mim mesma,
E também me perdoar,
Por buscar reciprocidade onde não há 
Por insistir onde não há mesmo afeto
Por não me deixar levar pelo acaso
Por me dar a importância que eu não tenho
E chorar noites inteiras no travesseiro.

Não consigo ignorar a tempestade em meu peito
Ela dói de verdade, não tem jeito.
Eu sinto com a mesma intensidade que existo
E tudo que anoto são versos só meus,
Cada um interpreta com a carga que também traz.

Minha jaula tem um fera ferida em combate interno...
Eu quero, eu preciso me desculpar
Pela humanidade e instinto selvagem no mesmo lugar,
Por julgar com a minha vivência onde não pude ficar,
Por entender que meu mundo não tem significado
Senão a mim mesma e deixa estar.

Jenny Faulstich 
(Resende, 15/04/2023)

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Quites

Outrora não parecia a mesma pessoa
e não era, agora eu tenho a certeza.
Certeza também de tudo que faltou,
de onde e quando eu falhei,
de como não dependia de mim,
e de que não era sobre mim.
Mas aqui dentro era
e aqui também ficou tristeza e trauma.
Tentei buscar vestígios de razão 
em sentimentos já arquivados
que pensava já ter superado.
A memória é falha,
o ódio, portanto, foi certeiro.
E dessa dose extra inesperada
foi ressaca o dia inteiro.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/04/2023)

Uma vida de "quases"

Olhar pra dentro dói 
aflinge, despedaça.
Nada que sobre
pra contar a história.
Aquela de sempre,
de que nunca merecerei,
serei sempre só mais uma
que se engana toda vez.
O absurdo de me achar especial
num momento se encontra
em choque massivo e real.
Me sinto só e cansada,
e fato, melhor só
do que mal acompanhada.
Mas o "mas" só corrobora
pra uma justificativa qualquer
já que não sou digna 
de conseguir não ser esquecida.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/04/2023)

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Longas noites

São as dores longas
A vida excitante
De altos, baixos, dissabores.
Um dia up, a tarde talvez,
Na noite eu me faço 
Viva outra vez.
Amanheço distante,
Errante, livre, amante,
Entre beijos lentos
Íntimos odores
Desejos sorrateiros
O coração um deserto
Sedento de amores!

Jenny Faulstich 
(Resende, 12/04/2023)

terça-feira, 28 de março de 2023

Acordei chorando

Chorei antes de conseguir dormir.
Acordei chorando também.
Uma noite de sono é até capaz
de alternar a percepção e os motivos.
Mas quando a alma está sensível
algo inútil incomoda, transborda,
derrama enquanto algo novo brota.

A compreensão afinco batalhada,
recebe um suporte de onde menos se espera,
e olha que sorte, não estar sozinha na aurora.

Jenny Faulstich
(Resende, 28/03/2023)

segunda-feira, 27 de março de 2023

Amanhã

Amanhã eu levanto da cama
Amanhã eu pago a cobrança 
Amanhã eu tomo um banho
Amanhã eu penteio o cabelo
Amanhã eu vejo as mensagens
Amanhã eu responda talvez
Amanhã eu tento não ser eu
Amanhã eu finjo que não doeu.

Jenny Faulstich 
(Resende, 27/03/2023)

quarta-feira, 22 de março de 2023

Perfeita

Comparação injusta e cruel.
Percepção que preferia não ter conhecimento.
Palavras ditas, jamais esquecidas,
levadas sim para um coração 
totalmente ciente de tudo que sente
e que sente muito e também nada,
que prossegue em frente
sempre desacompanhada
já que perfeita é ela,
eu sou a aleijada.

Resende, 22/03/2023

sábado, 11 de março de 2023

Erro?

Não me abrace!
Me olhe nos olhos 
e diga agora que fui um erro.
E se sim, dos melhores
porque eu sou foda!

Jenny Faulstich 
(Resende, 10/03/2023)

quarta-feira, 8 de março de 2023

Estaca zero

Você acha que estou fechada
Eu sempre sou é podada
Eu me permito sim, eu tento sim,
Sempre ouço que não é pra mim.
E se fico por hora, apática
É porque eu queria correr, correr, fugir
E não posso simplesmente sair daqui.
Não me conte por agora suas nóias
Preciso lidar com as minhas novas.

Jenny Faulstich 
(Resende, 04/03/2023)

segunda-feira, 6 de março de 2023

Fluxo

Passei os últimos dias me sentindo velha
Velha demais pra alguns "luxos" da vida
Pensei em fugir, pensei em desistir,
Chorei, me arrumei e saí
Com esforço extra o fluxo eu segui
Sorri, dancei, me distraí
Durou pouco, até me deparar de novo
Sem graça alguma em frente ao espelho
Sincero, imparcial, buscando algo especial
A resposta veio desastrosa e sem demora
De que nada disso na real importa 
Hoje aqui, amanhã talvez não 
O que possa ter deixado de fazer agora
É tempo passado à toa, não tem volta
A certeza da vida é só uma
Desperdiçar momentos custa
Não se recupera todo débito da fatura
E se me senti velha, inútil e indesejada
Não me pertence mais esse presente
Imperfeita, livre, leve, viva e feliz
Com muita coisa boa pra ceder em troca 
Problema de quem não me quis assim.

Jenny Faulstich
(Resende, 06/03/2023)

sábado, 4 de março de 2023

O de sempre

Hoje o sorriso é de canto de boca
O espírito da faxina ficou por anteontem
Queria eu não ter que levantar da cama
A make porém ainda está boa, só retocar
E buscar um abraço que não vá me julgar
Por chorar durante toda uma noite
Até a manhã pela janela estourar 
Me mordendo, fitando, miando
Enquanto concluo o de sempre
Mesmo vindo de palavras diferentes:
Nunca serei suficiente!

Jenny Faulstich 
(Resende, 04/03/2023)

quarta-feira, 1 de março de 2023

Poderia

Sim, ele poderia estar aqui 
mas será que ele de fato queria?
Até que ponto uma desculpa surge
Até que ponto uma verdade predomina
Até onde é medo, até onde é brisa
Até onde eu o assusto e espanto 
Qual seria a real paranóia dele?
Ele não veio, não virá, ninguém virá.

Jenny Faulstich 
(Resende, 25/02/2023)

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Camomila

Acostumada a ser substituída, dispensada!
Sempre insuficiente, exagerada, desajustada,
nem o chá que tomo agora está quente.
Isso não deveria mais me abater,
mas a cada vez que alguém me escracha
em algum momento a deprê me amassa.
Seguro a onda enquanto posso
até que um nó que aparenta simplório 
encosta num fio onde não deveria haver
só esperando a hora de prorromper.
Isso também não deveria me abater,
mas sempre nessa ordem que acontece,
resisto, reflito, não minto, confio,
acolho, ouço, agrego e me recolho
a minha insignificância permanente
já que aqui é somente eu, nunca a gente.

Jenny Faulstich 
(Resende, 25/02/2023)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Sempre assim

Sempre assim, nunca afim,
quando eu acho que está tudo bem,
quando penso que o ritmo é assim
sinto fluindo a dança do salão 
até que tropeço em egos, dúvidas, ecos
de um passado desusual e convexo
de traumas e ansiedades intratadas
de um controle inexistencial.
A melodia pausada é brutal,
vozes e passos descompensados
não sabem mais o que é real
já que certos receios disciplinam desejos
como se fossem algo racional
a se pesar em balanças desajustadas 
de virtudes, vantagens, feitos e defeitos.

Jenny Faulstich 
(Resende, 24/02/2023)

Alegria insustentável

Tem alegria minha que não se sustenta sozinha
Preciso de uma mão, um querer, um esforcinho
Às vezes até vem, sem o alicerce que favorece
Tudo então desmorona antes que eu perceba
Que talvez seja um luxo que eu não mereça.

Jenny Faulstich 
(Resende, 24/02/2023)

Determinado

Encontrado em desencontro
Resgatado do próprio abandono
Cuidado, ressocializado
Confuso, porém determinado
Em muitas bocas focado
Mais um na ponte, atravessado!

Jenny Faulstich
(Resende, 27/01/2023)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Não

Não, não estou remoendo seu não
Não estou me iludindo não 
Nao criei um pouco de expectativa 
Não consigo, não posso, não devo
Mas quero, quero muito
Quero o desassossego 
Desse beijo aflito e generoso
Do homem, um garoto,
Do sorriso gostoso
Do último não
Não vou pedir de novo, não.

Jenny Faulstich 
(Resende, 17/02/2023)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Só havia

Só havia ele
e ele sabia!
Sabia o poder que tinha.
Curtia quando eu lhe dava a importância 
que eu achava que ele merecia.
Eu esperei, esperei até que me mexi,
tropecei na minha expectativa,
me esborrachei, me quebrei inteira.
E pra quem só via ele pela frente,
de repente tantas mãos, tanta dessintonia,
fosse noite, madrugada, dia,
até o resgate, uma eternidade.

Jenny Faulstich 
(Resende, 14/02/2023)

Hoje não teve beijo de boa noite

Hoje não teve beijo de boa noite 
Aos poucos as mensagens deixam de chegar
A memória retoma a história 
De que ninguém vai me amar
Talvez porque eu dance esquisito
E porque eu manco, dependo e aparento
Não calce sozinha meu sapato
Não me calo, ou sumo, desapareço
Crio expectativa num alento
Me compadeço no combo conexão e apreço
Volto a chorar sozinha, sem adereço
Ritmada, desmotivada, sempre rejeitada.

Jenny Faulstich 
(Resende, 07/02/2023)

Sabe-se lá

Estaciono em frente ao lar
Não sei se quero entrar
Mas também não vou mais sair
Sem ter algum lugar pra ir
Sem ter alguém pra me encontrar 
Com tanta coisa pra pensar
Juntos, longe, inexistente
Sabe-se lá mais do que sou carente
Um afago apenas eu queria
Na alma, corpo, só uma companhia.


Jenny Faulstich 
(Resende, 12/02/2023)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

"Noite sem fim"

Se tem algo na vida que temo é ser injusta
e o trauma brota como reação,
não só memória consciente ou não.
Me machucaram uma vez, duas, três,
eu vou tentar me defender constantemente.
Mesmo assim, uma hora a guarda baixa
e vem uma porrada do nada que assusta!
Desabei de novo.
Me derrubaram de novo.
Distraí sem pedir socorro!
Choro, sussuro, não perdoo,
sob os escombros de fatos e estorvos
cerro a noite com lágrimas e gliter fosco.

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/02/2023)

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Parasitada

O ciclo
A praga
A ressaca
A energia sugada
Suada
Parasitada
Enfraquecida
Machucada
Ferida infeccionada
Sangue digerido
Desgosto eufórico
Retórico
Onipresente
Não entenda
Nem tente
Sair da vala
Novamente.

Jenny Faulstich 
(Resende, 24/01/2023)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Folião

Dia de Reis!
Dia de gratidão!
Dia da Gratidão!
Folia da vida
poder contar com a sua
que presenteia
supre e permeia
a visão de mundo,
carinho e felicidade!

Jenny Faulstich 
(Resende, 06/01/2023)
*Ao amigo Renatinho

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Posse

Amora agora com gelo e cachaça 
Só segure, não dê o segundo gole
De porre já basta a vida
E que o amor não me demore.

Jenny Faulstich 
(Resende, 03/01/2023)

Preciso me arrumar

Preciso arrumar meu quarto e minha mente
Botar a cara inchada de chorar no sol
Organizar a vida em linhas e gavetas
E cuidar do coração que está num nó.
Desapegar de tudo que não me apega
O que não mais me serve vai pro brechó
Ou para o lixo, sem dó.

Jenny Faulstich
(Resende, 23/11/2022)

Moribunda

Hoje a dor na alma é tanta
que meu corpo nem grita.
A lança que causou a ferida
descansa imponente e feliz.
Transferiu o tempo e a culpa
a moribunda que outrora serviu.
Ainda há de sentir a falta.
Ainda há de sentir o mesmo.
Ainda há de sentir pelo menos
arrependimento.

Jenny Faulstich 
(Resende, 23/11/2022)

Como seria?

Saí um pouco do mundo real
Pra poder imaginar como seria 
Se o seu sorriso fosse pra mim
Tão quanto seu olhar, seu pensar
E se você sentisse o mesmo que eu
Como seria poder lhe enviar
Certas linhas bregas de um amor
Que eu sei que não vai acontecer,
Mas bem queria e nem ouso mais esconder
Sem tempo e mobilidade pra isso viver.

Jenny Faulstich 
(Resende, 29/08/2022)